Joël Thomas

Frederic Monneyron et Joël Thomas. Mythes et littérature.

O termo “mito” invadiu largamente a linguagem cotidiana, mas, ao se vulgarizar, perdeu seu sentido antigo e primeiro para não mais designar, em sua acepção mais familiar, senão um conjunto impreciso de proposições que se opõem à realidade.

Os programas de literatura também não escapam à regra, e ao menos um curso ou seminário é geralmente consagrado ao estudo de um mito “literário”, seja em letras clássicas, letras modernas ou nos cursos de línguas estrangeiras.

As pesquisas conduzidas pelas ciências humanas permitiram chegar a definições relativamente precisas e a métodos doravante comprovados, mas esse conjunto se fissura assim que se trata de introduzir essas definições e esses métodos no terreno da literatura.

O desafio é, no entanto, de importância, pois trata-se, com a ajuda dos mitos, de ler melhor a literatura — evidenciando o que uma criação individual deve a narrativas pertencentes ao velho fundo intemporal de uma civilização — e, inversamente, de manifestar a perenidade de um modo de pensamento mítico através do que pode aparecer como um de seus vetores privilegiados.