Um texto pagão que contém força extremamente evocativa da mitologia é a descrição virgiliana da revelação apolínea à Sibila no Livro 6 da Eneida — em que parece essencial que a revelação antecipe um local com muitas entradas e saídas: a famosa caverna na colina de Cumas.
Virgílio descreve: “onde cem largas entradas e cem bocas conduzem para baixo, / e de onde se precipitam tantos sons, as respostas da Sibila.”
A Sibila já sente o Deus: “É tempo de pedir os Destinos”, disse ela, “O Deus! Eis! O Deus!” — e então: “seu rosto e sua cor subitamente mudaram; / seus cabelos voaram em desordem; seu peito arquejou, / e seu coração selvagem estava inchado de frenesi. Ela pareceu crescer / em tamanho e emitiu sons não mortais. Ela respirou / o deus que agora se aproximava.”
A presença divina se revela em um vento que despenteou seus cabelos, a preencheu por dentro e a fez inchar como uma vela — e como se convulsionada por raios e trovões, todo o santuário deve ser sacudido: “E agora cem enormes portas se abrem / por si mesmas e transmitem pelo ar as respostas da profetisa.”
Essa presença divina, como uma poderosa rajada de ar, abriu subitamente as possantes portas do santuário — e há outro traço que aparece: a súbita abertura espontânea do que estava fechado; a passagem é liberada e aberta; o inesperado, ou pelo menos o desconhecido e antecipado, sai ou entra.