Nietzsche foi um ateu radical e ao mesmo tempo opôs um deus grego a Cristo, formulando a alternativa “Dioniso ou Cristo” — escolha que, correta ou não, seleciona o deus compatível com seu ateísmo radical.
A ideia de Nietzsche, por mais estranha que pareça, não poderia ter sido totalmente infundada, e uma vez surgida, deve ser contada entre as experiências que compõem a cultura ocidental.
A questão que se impõe é a de saber o que estava por trás da palavra “Dioniso” quando era ainda o nome de um deus de uma religião histórica autêntica.
Na “Autocrítica” com que Nietzsche prefaciou a edição de 1886 de O Nascimento da Tragédia, escreveu: “Ainda hoje praticamente tudo nesse campo do dionisíaco permanece por ser descoberto e escavado pelos filólogos. Acima de tudo, o problema de que há um problema aqui — e de que os gregos, enquanto não tivermos resposta à questão 'O que é dionisíaco?', permanecem tão totalmente incompreendidos e inimagináveis como sempre.”
Essa observação permanece válida até os dias de hoje, embora precise ser transposta: os próprios gregos e seus precursores em Creta ajudarão a compreender o elemento em sua cultura que, uma vez entendido, tornará a própria cultura compreensível.
A cultura minoana não pode ser compreendida sem que seu caráter dionisíaco seja apreendido.