O que o ópio conferia não pode ter sido essencialmente diferente no período Minoico Tardio do que hoje — e uma vasta literatura gerada por essa experiência específica em tempos recentes está à disposição, embora longe de ser unívoca.
A dosagem, a mistura e a forma de ingestão do ópio podem variar enormemente, assim como os estados mentais de quem o tomou.
Alguns relatos parecem significativos à luz das observações arqueológicas que revelam um elemento visionário nos monumentos da religião minoica.
Os gregos relatavam que o cretense Epimênides dormiu em uma caverna por cinquenta e sete anos e tornou-se assim um filósofo — olhando para sua sabedoria como um milagre, não como um estado artificialmente induzido; se essa lenda preserva uma memória do consumo de ópio no Minoico Tardio, mostra também que o conhecimento do efeito real do pharmakon desapareceu com a cultura minoica.
A Odisseia (IV 220) faz referência a um pharmakon egípcio contra o sofrimento e a ira — cujo efeito parece comparável à grande euforia que é um efeito inicial do ópio, sem menção ao sono.
Thomas De Quincey, citado por Charles Baudelaire, evoca: “O oceano com sua respiração eterna, sobre o qual porém pousava uma grande quietude, simbolizava minha mente e o estado de espírito que então a governava… uma paz festiva. Aqui… toda inquietação cedeu a uma serenidade alcíonica.”
Baudelaire em “Le Poison” (Les Fleurs du Mal) escreve sobre estender — não destruir — os limites da natureza: “O ópio alarga o ilimitado, / Estende o sem-fim, / Dá maior profundidade ao tempo…”
Outros falam de “um mundo no qual 'se pode ouvir o passo de um inseto no chão, o amassamento de uma flor.'”
Jean Cocteau afirma: “O ópio é a única substância vegetal que nos comunica o estado vegetal.”