Édipo (versões modernas)

KERÉNYI, Karl; HILLMAN, James. Édipo e variações. Tradução: Edgar Orth; Tradução: Gustavo Barcellos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2025.

A tradução das tragédias de Sófocles realizada por Hölderlin, publicada em 1804, não corresponde aos ideais clássicos de fidelidade e precisão, sendo antes uma criação estranha e preciosa marcada pela doença mental do poeta.

O caminho político de Hölderlin, inspirado na Revolução Francesa e em Bonaparte, misturou-se progressivamente com a imaginação poética pura, o que constitui um sinal de sua insanidade mental, especialmente visível na dedicatória e nas notas de suas tragédias traduzidas.

O tema de Édipo como assassino inconsciente do pai e tomador de posse da mãe foi reconhecido como possibilidade humana geral por Sigmund Freud, que fundou em Viena um clube psicológico em 1902, espalhando uma atmosfera de interesse por suas ideias básicas.

Hofmannsthal, em sua peça “Édipo e a esfinge”, criou um Édipo como um sonâmbulo da raiva e do prazer, cujo sonho profético prenuncia o destino de homicídio do pai e incesto com a mãe, sendo esta a fonte de um prazer que outorga divindade.

André Gide, em seu drama “Édipo”, propôs-se a mostrar o avesso do cenário da tragédia sofocliana, dirigindo-se à inteligência do espectador para fazê-lo refletir, não para fazê-lo tremer ou chorar.

Cocteau, em “La machine infernale”, criou um drama-Édipo inteiramente entrelaçado com sua autobiografia, onde a alma sabe tudo e a verdade mora silenciosa na profundidade, culminando na cena do quarto nupcial entre Édipo e Jocasta.

Thomas Stearns Eliot, em “The Elder Statesman”, eliminou completamente o sacrum ambivalente do incesto, substituindo-o por um amor jovem e apaixonado que existe desde o começo do mundo.