Na Arcádia, Deméter sofre um destino mais duro que em Creta, sendo raptada por Posídon, cujo nome significa “esposo de Da”.
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A deusa se transforma em égua e se esconde numa estrebaria; Posídon, em forma de garanhão, engendra nela uma filha misteriosa de nome impronunciável e o célebre corcel mítico.
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Após o rapto, Deméter assume o rosto colérico e o nome maligno de Erinys; após a reconciliação e o banho no rio Ládão, torna-se Deméter Lousia, a doce.
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Em Telpusa, as estátuas de Deméter Erinys e Deméter Lousia coexistiam no mesmo templo.
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Nos mistérios de Licosura, como nos de Eleusis, a filha inominável, invocada apenas como Despoina, a Senhora, era a figura mais importante.
Uma Grande Deusa pode reunir numa única figura os destinos que se repetem em todas as mães e filhas, combinando os atributos femininos da terra com a inconstância da lua errante.
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A deusa dos mistérios de Licosura usava manto cósmico ornado com habitantes da terra e do mar e segurava no colo a cesta mística com os instrumentos dos ritos secretos.
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Em Telpusa, Deméter sozinha possuía dois semblantes num mesmo templo, um deles colérico e portador do cesto dos mistérios.
A dualidade entre Deméter e Perséfone admite duas explicações: ou uma única deusa possui dois rostos, ou duas deusas de origens distintas tornaram-se unidade inseparável.
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Uma inscrição encontrada em Delos, no recinto sagrado dos deuses egípcios, onde Deméter era honrada junto a Ísis, afirma que a deusa eleusina é simultaneamente donzela e mulher.
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A inscrição de Delos não esgota o segredo dos mistérios, mas aponta para um fato humano que permite ao espírito manter unidas e identificadas mãe e filha.
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O mitologema de Deméter e Perséfone expressa esse fato em termos eternos e suprapessoais de modo raramente igualado.
Na dualidade mantida em Eleusis, Deméter representava o aspecto terreno e Perséfone o aspecto espiritual e transcendente, sendo Deméter a figura de acesso mais fácil para quem desejava aproximar-se da filha.
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O Hino homérico a Deméter descreve pormenores do lamento da deusa que eram imitados pelos iniciados, os mistos.
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A versão eleusina do mitologema pressupunha dos iniciados uma espécie de autoidentificação com Deméter, a deusa da tristeza.