O santuário de Agrai, situado às margens do Ilisso, estava originalmente associado à deusa Agra, os despojos da caça, e à deusa cretense Britomartis, a doce virgem, perseguida e presa em rede, cujo mito chegou à Ática pelo mar Egeu.
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O nome Agrai remete à reserva de caça de Ártemis Caçadora, que ali era venerada portando arco.
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O friso de um pequeno templo jônico junto ao Ilisso representava o rapto de donzelas e o sacrifício das Hiacíntidas, episódio trágico ocorrido durante o cerco de Atenas por Minos de Creta.
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Os Mistérios de Agrai eram dedicados a Perséfone e a Deméter, e estavam também ligados a Dioniso.
O mito de Héracles indo ao mundo inferior buscar Cérbero serviu de base para a narrativa de que os Mistérios Menores foram instituídos em seu benefício, solucionando o problema de como um não-ateniense poderia ter sido iniciado.
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A dificuldade era que, segundo a tradição, estrangeiros não eram originalmente admitidos aos Mistérios, e um eleusino de nome transparente, Pílios, o de la Porta, foi inventado para ter adotado Héracles.
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Eurípides já conhecia a versão segundo a qual Héracles foi o primeiro iniciado de Agrai.
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O monumento encontrado no leito do Ilisso representa Héracles acompanhado de Hermes chegando para ser iniciado, ambos portando os característicos cântaros do festival dionisíaco.
A purificação de Héracles antes da myesis envolvia o sacrifício de um porco, o banho no Ilisso, a aspersão de líquido pelo hierofante vestido como Dioniso e a imposição do leque de joeirar sobre a cabeça do iniciando.
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O hierofante aparecia nas representações em traje dionisíaco, costume que os sacerdotes eleusinos teriam tomado dos atores nas tragédias de Ésquilo.
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O porco era o animal favorito de Deméter, e até os mais pobres iniciandos deviam sacrificar um antes da iniciação; os animais morriam em substituição ao iniciando.
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O daduco sacrificava um carneiro sobre cuja pele os maiores pecadores se sentavam durante os ritos restantes de purificação.
Após a purificação, Héracles, em veste branca com pele dionisíaca, se apresentava diante de Deméter sentada sobre a cista mystica, e a serpente enrolada no cesto se oferecia ao iniciando como prenúncio do segredo, não como o segredo mesmo.
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A cista mystica continha os objetos da myesis ocultos de não iniciados.
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Detrás de Deméter, a figura de Core também estava presente.
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Fazer amizade com a serpente era dionisíaco, como faziam as bacantes, embora com menos reserva do que Héracles na urna Lovatelli.
A iniciação era uma cerimônia cara, envolvendo sacrifícios de animais, como ilustra o episódio em que o orador Lísias presenteou a escrava Metanira com a iniciação porque era um presente valioso que sua dona não poderia confiscar.
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As contas do ano 329/328 a.C. registram o custo considerável de trinta dracmas para iniciar dois escravos do Estado nos primeiros dias de Antestérion.
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Segundo as contas de 327/326 a.C., cinco homens precisaram ser iniciados para poderem organizar o interior do Telestérion.
A procissão dos mystai a Eleusis partia em 16 de Boedromion com o rito do banho no mar e seguia no dia 19, o agyrmos, pela Via Sagrada até Eleusis, onde chegava ao entardecer.
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Os mystai carregavam ramos de murta, cantavam o nome de Iakchos e portavam archotes; as mulheres levavam vasos de kykeon na cabeça e os homens os pequenos cântaros dionisíacos.
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Na ponte sobre o Cefiso, bufões realizavam os gephyrismoi, zombarias que reproduziam o papel de Yambe ou Baubo diante de Deméter, aliviando o luto dos iniciandos.
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Na estreita ponte sobre o Rheitoi, no domínio dos Kroconidas, os mystai recebiam um fio atado à mão direita e ao pé esquerdo e recitavam a senha de reconhecimento, o synthema.
O synthema dos iniciandos resumia tudo o que tinham feito antes de ser admitidos à epopteia, mencionando o jejum, o kykeon e a transferência de objetos entre o kalathos e a cista mystica.
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O kalathos pode ter pertencido a Core, usado para flores ou lã quando foi raptada.
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Na cista mystica, entre plantas visíveis nas representações do cesto, provavelmente havia um ou mais falos ocultos, o que explicaria a parada junto à figueira silvestre quando os cestos eram levados à cidade.
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A ordem do synthema é um vestígio dos tempos em que a myesis ainda não era realizada em Agrai, mas após o jejum e o kykeon, antes da epopteia.