O ponto essencial deste estudo reside não apenas na dança em si mesma, mas na forma de participar nela, sem importar qual possa ser sua razão cósmica — dois relatos da Grécia atual são selecionados como ponto de partida, como relatos de continuidade em lugar de imitações do grego antigo.
O primeiro relato é de Creta, traduzido do romance grego moderno O cretense, do autor Pandelis Prevelakis, e descreve um panijiri, festa popular em honra de são Elias, no alto de uma montanha.
Um ancião vigoroso se põe à frente e começa: “Nenhum baile me emociona tanto como o do cinco! Três passos para a frente, dois para trás!”
O coro se move como o mar — encolhendo e alargando como ondas que se estendem sobre a areia e voltam a se recolher —, até que as almas se enchem; então o laúde soa mais vivo, os passos se fazem mais rápidos, e as belas bailarinas rompem o círculo, correm para a frente e se reincorporam ao grupo com pequenos e acelerados passos, com corpos que ondulam como as ondas.
Os versos entoados elevam as bailarinas em uma escada da terra ao céu: “Condutora do coro, adorno de sua cabeceira, / Fragata verde-ouro em meio ao mar!” — e depois: “Meu desejo de ciprestes, de madeira olorosa, / A ti, donzela, se parece em graça e majestade!” — e seguiam elevando-as, comparando-as ao jasmim, à canela, à aurora, ao sol, ao arcanjo do céu, à liturgia da Quinta-feira Santa, ao evangelho do domingo de Páscoa.
Os acontecimentos do culto cristão substituem uma ninfa ou uma deusa — mas a dança do povo grego segue sendo uma dança tal como Otto a concebia, e seu nome originário não mudou: chorós, a palavra originária para “coro.”
Desde o chorós cretense descrito por Prevelakis até os coros das moças espartanas — por quem o velho poeta Alcmão desejava ser levado, como o velho martim-pescador é levado por sua fêmea sobre as ondas do mar —, há apenas um pequeno passo para o passado; na obra de Alcmão também competem duas donzelas do mesmo coro, Agido e Hagesícora, sendo esta última portadora do próprio nome de “condutora de coro.”