Na época pré-homérica a imagem do submundo foi pensada como um labirinto em espiral, e o retorno de lá, como uma graça concedida pela rainha do submundo — e de lá embaixo ela reinava como “Senhora do labirinto”, como Ariadne, como “a puríssima”: isso é o que significa o nome, o mais apropriado da perspectiva grega para a rainha do submundo, também chamada Perséfone, com seu nome pré-grego.
Não só deixava sair do submundo a quem ela queria, mas ela mesma regressava para converter-se em “a claríssima”, a Aridela do céu, como era chamada em Creta com outro nome igualmente grego.
Como figura pré-homérica, era a donzela divina dos cretenses, uma deusa lunar — não apenas da lua no céu, mas como senhora do reino dos mortos que, cheia de clemência, devolvia à vida.
Desde Homero era considerada uma filha mortal do rei Minos: havia ajudado o jovem e belo ateniense Teseu com seu conselho e seu fio, e segundo uma versão antiga com sua coroa que brilhava e iluminava os tétricos corredores do labirinto — assim ele pôde regressar de uma morte certa.
Ainda assim — segundo uma versão antiga da lenda à qual já se refere a Odisseia — foi assassinada por Ártemis, por indicação de Dioniso, na ilha de Día: ou naquela pequena ilha situada diante do porto de Cnossos, ou em Naxos, que anteriormente também se chamava Día.
Segundo a muito conhecida e posterior variante, válida também para Hofmannsthal, não morreu ali mas foi abandonada enquanto dormia profundamente — e assim Dioniso encontrou sua Ariadne, sobre quem exercia um antigo direito, e a conduziu em seu carro para o céu, onde ainda hoje resplandece a “coroa de Ariadne.”