O Hino Homérico a Hermes aprofunda o caráter titânico e preolímpico do deus, integrando o mito do nascimento na ordem clássica.
Musa, canta Hermes, de Júpiter filho e de Maia, — ele que Cilene e a Arcádia nutriz de rebanhos tutela, — dos Imortais arauto.
Arcádia e monte Cilene como locais de culto.
Epíteto eriounios relacionado à velocidade da morte e ao deus ctônico.
O nascimento de Hermes decorre de um amor furtivo entre Zeus e a titânida Maia no segredo de uma gruta profunda.
Maia como ninfa de belos cachos e filha de Atlas.
Elementos do tornar—se: amor furtivo, noite profunda, sono e segredo.
Perspicácia de Zeus manifesta no projeto divinamente cumprido.
A manifestação de Hermes ocorre de forma gradual, revelando um deus versátil, ladrão de bois e senhor dos sonhos.
Um criancinha deu à luz versátil, fino de mente, — pronto para roubar, ladrão de bois, senhor dos sonhos, — afeito a espiar de noite diante das portas.
Epíteto polytropos compartilhado com Ulisses.
Pyledokos como aquele que espreita na porta durante a noite.
O desenvolvimento das gestas de Hermes segue uma cronologia sagrada que vincula o nascimento, a invenção da lira e o roubo dos bois.
Nascido ao amanhecer, ao meio—dia já tocou a lira, — de tarde roubou os bois de Apolo que longe fere — naquele quarto dia do mês em que a poderosa Maia o tinha parido.
Conexão estável com o número quatro e o mês Hermaios em Argos.
Forma quadrada das ermas e o número quadratus segundo Marciano Capela.
O encontro de Hermes com a tartaruga exemplifica a transformação de um acaso em um ganho espirituoso e artístico.
Salto para fora do berço.
Encontro com a tartaruga como sinal de imensa felicidade e riqueza.
Conceito de hermaion como achado afortunado.
Diferença entre o acaso e a obra hermética.
Hermes, Hércules e o mito do tesouro encontrado pelo estúpido.
A transformação da tartaruga em lira revela a ironia divina e a crueldade titânica subjacentes à criação da música.
De Júpiter o benevolente filho — olhou—a, riu, e estas palavras logo disse: — Auspício és para mim proveitoso; e eu não te desprezo. — Salve, agradável objeto, que fausto me apareces, ó dos bailes — guia, aos banquetes companheira. De onde vens, ó suave — brinquedo, carapaça versicolor, montanhesa tartaruga? — Agora te pego, para casa te levo, e te ponho a serviço, — não te descuido: serás a coisa que primeiro me ajude. — É melhor estar em casa, nocivo é ficar ao relento. — Dos sortilégios, se tu estivesses viva, serias ministra; — mas se morreres, poderás docíssimo emanar um canto.
Morte da tartaruga para a transfiguração da existência em doçura.
Presentes da arte hermética: alegria, amor e doce sono.
O canto inicial de Hermes celebra o amor e a riqueza com uma impudência que remete à natureza essencialmente fálica do deus.
E do Cronida cantou, de Maia de sandálias belas, — como a primeira vez os uniu um colóquio de amor; — e recordou no canto como ele mesmo nasceu. — Também as servas exaltou da Diva, e a fúlgida casa, — e da casa os tantos caldeirões, e os trípodes.
Impertinência comparada aos cantos juvenis de escárnio.
Diálogo entre Apolo e Hermes sobre Afrodite na rede de Hefesto.
Oarizein como termo de conotação fálica.
A consciência de Hermes sobre sua própria origem e a genealogia dos deuses constitui o fundamento de sua sabedoria espiritual e memória cósmica.
Nomeando sua ilustre linhagem.
Genealogia como representação da mitologia.
Mnemosine como mãe das Musas e demônio do destino de Hermes.
Impossibilidade de esquecimento e posse do saber dos fundamentos primordiais.
O roubo dos bois de Apolo e a fundação do sacrifício cruento demonstram a transição do ato titânico para a revelação divina hermética.
Ganância por carne comparada à de um leão.
Instituição do sacrifício às doze divindades.
Participação simbólica no sacrifício sem ceder à voracidade imortal.
Invenção do novo furto que substitui a violência pela inventividade e astúcia.
A fuga e o retorno furtivo de Hermes à sua gruta revelam sua natureza aérea e capacidade de se tornar imperceptível.
Sandálias de tamargueira e ramos de mirto para confundir rastros.
De soslaio penetrou na gruta, através da fechadura, — como a névoa, como a brisa que sopra de outono.
Diálogo entre Maia e Hermes sobre a busca por honras e ofertas iguais às de Apolo.
Ameaça de Hermes de saquear o templo de Apolo em Delfos.
O confronto entre Apolo e o recém—nascido destaca a astúcia do primeiro sofista e sua conexão com a esfera dos mortos.
Menino que jaz no berço, responde—me logo onde estão — as vacas ou a contenda entre nós será pouco cortês; — já que te lançarei entre a névoa do Tártaro horrendo, — no escuro de onde nunca se volta; nem pai nem mãe — poderão à luz mais reconduzir—te: sob a terra, em malora, — sobre gentes perdidas provar deverás tuas fraudes.
Gentes pequenas como imagem dos exaustos de vida.
Surgimento da imagem do psicopompo e do Hermes Logios.
O perjúrio solene de Hermes diante de Apolo e Zeus consolida sua posição como mestre dos embustes e amigo dos ladrões.
Juramento pela cabeça do pai.
Riso de Apolo diante da mentira do irmão.
Privilégio de ser chamado, para sempre, amigo dos ladrões.
Gesto grosseiro de Hermes no colo de Apolo como antípoda da pureza apolínea.
A conciliação entre Hermes e Apolo delimita as esferas de atuação divina, conferindo a lira a Apolo e a custódia dos rebanhos a Hermes.
Riso de Zeus que garante a inocuidade da herança titânica.
Frusta como símbolo da pastorícia hermética.
Vara áurea de três folhas como doadora de riqueza.
A divisão das funções oraculares reserva a Apolo o conselho de Zeus, enquanto Hermes recebe o domínio sobre o oráculo das três irmãs abelhas.
Virgens que voam lofas de rápidas penas: três são, — e têm todo o corpo polvilhado de branca farinha. — Têm sob um desvão do monte Parnaso a casa, — e ensinam em separado suas profecias.
Abelhas como almas puras e o delírio menádico.
Dependência da divinação em relação ao estado de plenitude ou vacuidade das almas.
A nomeação de Hermes como mensageiro único perante Hades vincula o deus a iniciações místicas e ao cuidado com as almas.
Único será junto a Hades mensageiro perfeito, que não o menor dom dará, sem ser por isso remunerado.
Significado de consagrado ou iniciado para o termo tetelesmenos.
Relação com os mistérios dos Cabiros.
Hermes como companheiro de deuses e homens que frequentemente engana a progênie humana na noite profunda.