Antígona (332-64), tradução de G. Lombardo Radice: “Muitas tem a vida forças / tremendas; porém mais do que o homem nada, / vedes, é tremendo. / Vai pelo mar canoso / no úmido áspero vento, / sulcando inchações que se afundam / em redemoinhos sonoros. / E a suprema entre os deuses, a Terra, / de ano em ano ele cansa de arados / subversores e de cavalos pressiona / toda revolvendo-a. / E a família leve / das aves serenas armadilha, persegue / como as estirpes / ferinas, como o povo / vivo nas ondas salgadas, / astuto, estendendo suas redes, o homem: / e vence, com fraudes, / vagantes pelos montes as feras do bosco: / aperta no jugo, densa de crina, / a nuca do cavalo e o touro doma / montanhês, infatigável. / Deu a si a palavra, / o pensamento que é como o vento, o viver / civil, e os modos / de evitar os assaltos / dos céus abertos às úmidas tempestades / no inospitaleiro gelo, a tudo armado / o homem: que nada inerme / espera do futuro. Hades somente / não saberá nunca fugir, / se bem medite sempre / novos refúgios a males indomáveis.”