Dioniso podia ser aceito pelas mulheres, portadoras de muitos de seus cultos secretos, sob a forma de touro — em Elide elas o invocavam como “digno touro” —, mas essa forma de aparição parecia servir para aterrorizar os não iniciados.
Uma tragédia de Ésquilo dedicada à introdução do culto dionisíaco na Trácia — intitulada pelo nome de uma população trácia, Edonoi — descrevia os sons que anunciavam a chegada do deus entre seus acompanhadores, os portadores do culto secreto.
A descrição começa: “Ressoam os instrumentos de corda — mugem, como o touro, de algum lugar invisível, os assustadores imitadores” — imitadores precisamente da voz taurina — “e é como o som de um tambor de grave efeito, como se troasse de baixo da terra.”
Estudiosos modernos colocaram esse som em relação com um instrumento arcaico dos cultos secretos — o rombo.
A voz do touro, de qualquer instrumento que provenha, requer em todo caso uma máscara taurina e anuncia a chegada de um deus que aparece com tal máscara, diante do qual todos os não iniciados devem se afastar, aterrorizados.
Desse fundo ergue seu rosto desprovido de traços animalescos o Dioniso grego — esses traços permanecem presos à muda máscara inócua, mas não desprovida do mistério, do deus dos rios e das fontes, Aqueloos.
Muito se narrava na Grécia sobre a paternidade dos deuses fluviais — no rito nupcial, o deus do rio precedia o novo noivo.
A mesma máscara tornou-se ao fim a do próprio Pai Oceano — da “origem dos deuses”, como disse Homero, “e de todo ser.”