A distinção entre as noções clássica e romântica de natureza fundamenta-se na transição da ideia de uma artífice engenhosa para uma relação intrínseca com o sentimento humano.
Klopstock — menção às premissas que delimitam os conceitos antigo e moderno.
Goethe — citação de dez anos antes do fragmento A Natureza sobre a força que devora a força, o transitório e a arte como esforço de autoconservação.
A inserção do conceito antigo de natureza na modernidade revela a persistência de uma forma definida apesar das contradições inerentes à visão europeia.
Goethe — oposição entre natureza e arte e a nova correlação com o espírito.
Walter F. Otto — observação sobre a exclusividade europeia desses conceitos em contraste com o Oriente.
Oriente — caracterizado pela coesão com o mundo sensível e pela busca da redenção e libertação absoluta, sem um termo correspondente para natureza.
O conceito de natureza comum a gregos e europeus define-se como uma forma que nasce do espírito a partir do elemento sensível.
Walter F. Otto — reflexão sobre a natureza não existir sem o espírito e a origem grega da ciência e do mito natural.
Luta entre natureza e espírito — fenômeno permanente para o herdeiro dos gregos, onde as partes dependem uma da outra para existir e ter forma.
O dualismo grego entre o ser e o ser conhecido diferencia-se da interpretação moderna que introduz a ideia de combate entre os elementos.
Zeus — o nous que reflete tudo e é onisciente.
Goethe — oposição entre arte e força destruidora do universo.
Hölderlin — citação do poema Natureza e Arte ou Saturno e Júpiter: E se queres permanecer, serve ao mais velho!
Cristianismo — fator que moldou o dualismo europeu como uma luta entre a corporeidade sensível e um espírito desprendido de sua base materna.
A negação do dualismo cristão em favor de um individualismo que atua como porta-voz da natureza mantém traços não antigos na modernidade.
O fragmento A Natureza, embora incorporado por Goethe, possui origens que remetem ao círculo de teólogos e entusiastas de Zurique.
Goethe — confissão de 1828 sobre não se recordar da autoria, embora as ideias correspondessem ao seu espírito da época.
Christof Tobler — provável autor suíço do texto e tradutor dos Hinos de Orfeu.
Lavater — ligação com o círculo de Zurique.
Stein — menção ao quadro da natureza visível de muitos lados.
Bernhard Huber — citação de um lema atribuído a Tobler sobre a inteligência reservada da natureza que nenhum homem pode copiar.
A comparação entre o fragmento moderno e as fontes clássicas revela paralelos estruturais na descrição dos movimentos naturais.
A imagem da dança na natureza diferencia-se entre a harmonia celeste antiga e a violência impetuosa moderna.
Christof Tobler — tradução do epíteto sempre móvel no hino à deusa Physis.
Hino à deusa Physis — versos sobre a condução das estrelas e o correr sem ruído sobre as pontas dos calcanhares.
Zaratustra — relação entre a imagem da dançarina violenta e a heroína de Nietzsche.
O caráter enigmático e lúdico da natureza no pensamento moderno afasta-se da solenidade religiosa dos hinos antigos.
Bernhard Huber — carta a Lavater sobre a grande prestidigitadora e seu jogo tragicômico.
Goethe — comentário de 1828 sobre o panteísmo, o ser imperscrutável e o jogo não isento de uma amarga seriedade.
Soret — citação de 1831 comparando a natureza a uma jovem coquete que atrai e se esquiva.
A noção de um caminho predeterminado e desconhecido para as criaturas encontra raízes no pensamento estoico e heraclítico.
Heráclito — origem da ideia do homem que desconhece seu caminho.
Marco Aurélio — citação da ideia estoica.
Cícero — exposição da doutrina de
Zenão sobre a natureza como artista providente, consultora e criadora da beleza e dos sexos.
Cota — crítica vulgar à natureza como alcoviteira de si mesma.
O tom das relações entre natureza e amor no fragmento moderno distancia-se tanto da vulgaridade acadêmica quanto da elevação religiosa latina.
Lucrécio — hino à deusa Natureza no proêmio a Vênus.
Christof Tobler — erro de tradução do adjetivo referente a ajudantes de parto e reflexão romântica sobre o amor como coroamento da natureza.
Espinozismo — subordinação do coração à natureza.
Sábio estoico — apelo à divindade para ser conduzido.
A concepção moderna de Mãe Natureza potencializa a contradição e o sofrimento em uma unidade que premia e pune a si mesma.
A palavra Physis atua como um termo primordial que domina o pensamento filosófico por meio de seu conteúdo conceitual intrínseco.
Pensador moderno — confissão sobre ser dominado pela linguagem e a gravidez de ideias como uma graça que exige exatidão.
Logos — termo que, junto a Physis, possuía uma medida insuperável de influência sobre os filósofos arcaicos.
O surgimento da palavra Physis na literatura grega ocorre de forma simbólica através da revelação divina de uma qualidade essencial.
Homero — na Odisseia, o deus Hermes mostra a Ulisses a natureza da erva mágica moly.
Significado original — a qualidade ou o gênero do existente, identificável por quem possui o saber.
A etimologia de Physis vincula-se ao crescimento orgânico, mas estabelece o ser como um estado permanente e dominador do devir.
Aristóteles — derivação do significado de nascimento ou origem, embora observe a necessidade da vogal longa para o sentido de tornar-se.
Língua latina — raiz correspondente ao significado de ter sido ou ser definitivo.
Filolau — menção à natureza do número como guia e mestre, sem rastro de devir.
O conceito de Physis ocupa o lado do ser no dualismo grego, representando aquilo que é efetivamente e sempre será.
A simplicidade espontânea do termo Physis permitiu sua transformação de palavra primordial em conceito científico e slogan sofístico.
Platão e Aristóteles sistematizaram as contradições de Physis como gênese das coisas primeiras e essência permanente.
Aristóteles — definição de natureza como via para o ser, matéria primordial, forma ou síntese.
Platão — definição como gênese das coisas primeiras, incluindo a alma.
Leucipo e Demócrito — os átomos como natureza.
Epicuro — definição de natureza como corpos, vácuo e seus acidentes.
Empédocles — negação da natureza e da morte para os mortais por considerar apenas os quatro elementos como realidades primordiais.
Parmênides abordou a Physis como o problema do ser, situando-a entre a revelação da unidade e a descrição dos fenômenos celestes.
A cosmogonia parmenidiana introduz uma figura divina central que governa a mistura e o nascimento.
A identificação da divindade governante ocorre através de suas múltiplas denominações na poesia filosófica e religiosa.
Simplício — comentário sobre a deusa da renascimento.
Deméter e Reia Cibele — possíveis equivalências à grande mãe das almas pitagórica.
Justiça e Necessidade — outros nomes para a senhora da mistura.
A figura mitológica próxima ao conceito de Physis associa-se a divindades primordiais e seus descendentes simbólicos.
Parmênides — invenção de Eros como o primeiro dos deuses.
Hesíodo — filhos da Noite, incluindo Guerra, Morte, Sono e Esquecimento.
Aristófanes — paródia da cosmogonia órfica com Eros filho da Noite.
Afrodite — identificada por Plutarco na descrição de Parmenides.
Empédocles descreve a ação de uma senhora da mistura que atua como potência de união na esfera dos elementos.
Philotes ou Philia — o amor como princípio de união contraposto ao Neikos ou Discórdia.
Alegria e Afrodite — nomes humanos para a potência de união.
Harmonia — nome mitológico e filosófico.
Sphairos — o núcleo cósmico esférico e alegre em sua solidão.
Lucrécio integra a tradição filosófico-mitológica em seu proêmio dedicado a Vênus como regente da natureza.
A celebração de Vênus como genetrix em Lucrécio corresponde à divindade governante da tradição grega.
Virgílio — menção à primavera como época do surgimento do mundo.
Natureza governante — expressão que substitui Vênus na condução do universo.
Fortuna governante — outra denominação para a potência complexa da natureza.
Epicuro expressa gratidão à natureza por equilibrar as necessidades humanas e a facilidade de seu provimento.
Graças à beata Physis por tornar fácil o necessário e difícil o desnecessário.
Natureza — concebida simultaneamente como acaso cego e necessidade inexorável.
Tyche e Ananke — elementos pertencentes à natureza daquela que doa sem ser solicitada.
Orações mágicas da antiguidade tardia evidenciam a equivalência entre Vênus, Afrodite, Physis e a Lua.
Textos mágicos e filosóficos tardios vinculam a origem da natureza a figuras femininas da fertilidade e do céu noturno.
A grande oração a Selene descreve uma divindade trifronte que governa o cosmos, o destino e o tempo.
Atributos de Selene — ornamento da noite, portadora de luz, rainha sentada sobre touros, Dike, Cloto, Láquesis e Átropo.
Domadora — epíteto gravado por Cronos no cetro da deusa para garantir a permanência de todas as coisas.
A busca pela deusa Physis original aponta para uma figura mitológica que compartilha traços com Afrodite e a divindade lunar.
O hino de Mesomedes celebra uma mãe do mundo identificada com a noite, a luz e o silêncio.
A parte final da oração de Mesomedes solicita virtude para a alma e saúde para o corpo físico.
A conexão entre a deusa natureza e o deus solar é uma constante na poesia religiosa e filosófica da época.
Aion, Paian e Titan — nomes para invocar o Sol.
Homem em grilhões — autodescrição do suplicante que professa fé órfica ou pitagórica.
Claudiano descreve a natureza como guardiã de uma gruta eterna onde o tempo é processado.
Stilicho — protetor do poeta no ano 400 d.C.
Aion — personificação do tempo infinito.
Cibele e Reia — identidades da deusa que guarda a entrada da gruta.
A gruta do tempo em Claudiano é cercada pela serpente da eternidade e habitada por almas aladas.
A fusão de elementos orientais e gregos caracteriza a cena mitológica da saudação entre a Natureza e o Sol.
A fonte comum para a conexão entre Physis e Hélios reside no mitologema órfico da gruta da noite.
A cosmogonia órfica situa a origem de todo existente em uma obscuridade primordiale habitada por divindades noturnas.
Nix — a Noite, por vezes triplicada, habitante da gruta.
Fanes — o princípio da luz que surge da escuridão.
Aristóteles — discussão na Metafísica sobre os teólogos que derivam tudo da Noite.
Adrasteia atua como a legisladora e guardiã que domina a entrada da gruta e a vida dos homens.
Mãe Idaia e Adrasteia — formas da grande mãe Reia Cibele.
Inelutável — significado do nome Adrasteia, a senhora do destino e das leis da mortalidade.
Platão — conceito da lei de Adrasteia sobre a predeterminação da alma.
A pesquisa revela que Reia Cibele personifica a inelutabilidade das leis da existência psicofísica humana.
Monumentos — representação como deusa lunar.
Átis — ligação com o ciclo da Afrodite oriental.
Ananke — identificada com Physis e Adrasteia na cosmogonia de Hierônimo e Helânico.
Crisipo e
Zenão — identificação da lei do destino com a providência e a natureza.
O hino órfico à natureza sintetiza influências estoicas e órficas em uma figura divina multifacetada.
O texto do hino atribui à natureza funções de governante, criadora e destino universal.
Atributos — mãe de tudo, deusa de muitos recursos, rainha, domadora de tudo, indomável, governante, luz total, soberana absoluta.
Características — imortal, primogênita, antiga, ilustre, noturna, portadora de brilho, pura, ordenadora dos deuses, fim sem fim.
Dualidade — pai e mãe, nutrição e dissolução, doce para os obedientes e amarga para os maus.
Movimento — portadora do movimento, gira o fluxo rápido em um turbilhão eterno, circular, de formas variadas.
Súplica final — por paz, saúde e crescimento de todas as coisas em tempos prósperos.
A natureza como artífice de invenções evolui de um conceito estoico para uma imagem purificada da Grande Mãe.
Polymechanos — conceito de artífice engenhosa legado pelos estoicos.
Kyberneteira — a demone governante de Parmenides e Lucrécio.
Síntese — a Physis como imagem da mãe definida, distinta tanto da passividade da terra quanto do desespero das mães sofredoras.