A interpretação de Dante sobre a figura de Niobe restringe—se ao exemplo da justiça divina contra o pecado da soberba.
Base textual fundamentada na obra de Ovídio.
Relação cristã que identifica a pretensão de veneração divina por uma rainha terrena como uma falha moral.
Equivalência entre a morte dos filhos de Niobe e a matança dos inocentes em Belém sob a ótica da justiça divina.
A descoberta das estátuas dos Nióbidas no século 16 serviu inicialmente apenas como confirmação arqueológica de um relato antigo.
Escavações na Vigna Tomasini junto ao Latrão que revelaram as esculturas admiradas.
Visão dos cavadores e de estúdios da antiguidade clássica focada na ilustração de uma história tradicional.
Crítica de Jacob
Burckhardt sobre a crueldade dos deuses gregos ao destruírem filhos inocentes para causar dor à mãe.
Perspectiva de Winckelmann que privilegia a beleza suprema em detrimento do sofrimento monstruoso.
Tais condições, em que cessa todo sentimento e todo raciocínio, são semelhantes à indiferença e não mudam nenhum traço da figura e da formação, de modo que o grande artista pôde formar aqui aquela suma beleza que efetivamente formou: Niobe e as filhas são, de fato, e continuam sendo as ideias supremas desta beleza.
O trono de Zeus em Olímpia apresentava a cena da morte dos filhos e filhas de Niobe como base para a imagem da divindade suprema.
Obra de Fídia considerada o encontro entre o homem e o deus.
Representação dos filhos dos tebanos raptados por Esfinges nos suportes anteriores do trono.
Friso com os Nióbidas caindo diante do arco de Apolo e as filhas mortas pelas flechas de Ártemis.
O significado da ornamentação no trono de Zeus transcende a decoração e aponta para uma referência supra—individual.
Rejeição da ideia de que as cenas seriam apenas relatos tristes de mortais isolados.
Posição de Sócrates e Platão contra a forma como Ésquilo levou a história de Niobe ao palco.
Proibição de relatos que atribuíssem a causa da ruína humana à vontade divina no estado ideal platônico.
A arte religiosa em Olímpia revelava a condição humana em seu contraste absoluto com a divindade por meio da imagem do desamparo.
Ausência de uma intenção de punição justa na exaltação do pai dos deuses e dos homens.
Caráter objetivo da arte que não se define como moral ou imoral.
Condição humana resumida na essência de estar indefesa diante dos demônios da morte e de divindades iradas.
Niobe é caracterizada como uma mãe humana universal e uma divindade vinculada às tradições da Ásia Menor.
Niobe como filha de Tântalo ou como a primeira mulher.
Conexão entre a montanha Sípilo e o mito da transformação em rocha que chora eternamente.
Parentesco linguístico entre os nomes Niobe, Hécabe e a grande mãe Cibele ou Cibebe.
Sófocles e Antígona mantêm a percepção de Niobe como um ser de linhagem divina apesar do fardo da dor.
E, Niobe, tu que tanto de dor peso sustentas, ai, eu te venero deusa, que choras eterna da tumba rupestre.
Da mais triste entre as mortes — ouvi — pereceu a exilada frígia, Niobe a tantalida, no cume do Sípilo. Como hera tenaz o vivo rochedo a si a prendeu, nem as chuvas deixam — como é voz entre os homens — de macerá—la nunca, nem nunca as neves das pálpebras em pranto refluentes sobre aquele dorso rupestre. Como ela serei eu no pedregoso leito onde o meu demônio quer que eu me deite.
Protesto do coro afirmando que Niobe era deusa e estirpe de deuses, enquanto os homens possuem natureza mortal.
A tragédia de Ésquilo sobre Niobe apresenta a condição humana geral através do silêncio da mãe e da intervenção divina.
Veneração de Niobe como deusa pela tribo dos cilícios.
Fragmento de papiro onde uma divindade, possivelmente Hermes, dirige—se ao público.
Digo a vós que não sois insensatos: A ocasião, aos mortais, cria—a o deus, quando quer arruinar uma casa.
Consternação dos deuses diante do luto mudo de Niobe que durava três dias.
A comparação entre Niobe e Deméter revela a transição da dor divina para o caráter humano de uma punição.
Referência na Ilíada ao momento em que Niobe volta a se alimentar após o pranto.
Mas, saciada enfim de pranto, do alimento teve ela também lembrança.
Diferença entre o luto de Deméter pela filha e a sofrimento de Niobe marcado pelas consequências de uma culpa modesta.
A proximidade entre os mitologemas de Niobe e Prometeu foi reconhecida desde a antiguidade como protótipos da resistência humana.
Classificação de Artemidoro que agrupa as histórias de Prometeu e Niobe como relatos em que muitos acreditam.
Simetria nos afrescos da Villa Doria Pamfili entre a libertação de Prometeu e a punição de Niobe.
Interpretação arqueológica de Niobe e Prometeu como protótipos da mulher e do homem no esforço e no suportar.
Niobe figura nas tradições gregas como a primeira mulher vinculada aos primeiros homens de diversas regiões.
Imagem de Prometeu e Atlas no trono de Zeus em Olímpia moldando a imagem cósmica de sofrimento e esforço.
Niobe associada a Foroneu em Argo como os primeiros seres humanos antes do dilúvio de Deucalião.
Identificação de Niobe como esposa de Alalcomeneu na Beócia ou de Anfião e Zeto em Tebas.
O paradoxo de uma deusa que carrega o destino humano resolve—se na visão grega da eternidade da maneira humana de existência.
Os deuses antigos como os Titãs e a natureza eterna da forma humana independentemente das realizações individuais.
Definição do mundo grego como um mundo do homem.
Reconhecimento do humano no céu através dos astros mais mutáveis e partícipes da escuridão.
A luta entre Prometeu e Zeus assemelha—se a esquemas míticos solares e lunares presentes em outras culturas.
Analogia com o mitologema africano sobre o engano entre a Lua e o Sol.
A Lua e o Sol — diz o mitologema africano — são irmãos. Eles planejaram juntos um engano. A Lua disse ao Sol: Queremos lançar nossos filhos na água. O Sol concordou. Chegado o tempo marcado, a Lua escondeu seus filhos, buscou pedras brancas e as colocou em um saco. O Sol porém, nada sabendo disso, pegou verdadeiramente seus filhos e os colocou em um saco. Depois, eles partiram e chegaram à margem do rio. Assim foi enganado o Sol que precipitou seus filhos no rio.
Explicação mítica para a Lua possuir estrelas enquanto o Sol permanece solitário.
O relato de Hesíodo sobre a disputa em Mecone reflete a separação entre a mente solar divina e o destino lunar humano.
Divindade solícita e humana que encontra seu lugar em figuras divinas originalmente celestes.
Prometeu como uma divindade lunar originária e primeiro homem.
Identidade entre o gênero humano sofredor e o enganador punido.
O litígio entre Leto e Niobe fundamenta—se na disputa pela superioridade baseada no número de filhos.
Leto e Niobe eram, uma vez, boas amigas.
Derrota de Niobe diante da qualidade divina dos dois filhos de Leto, Apolo e Ártemis.
A morte dos Nióbidas e o período de luto estão vinculados a ciclos temporais e divisões do mês lunar.
Matou—lhe os filhos Apolo, com os dardos do arco de prata, que estava irado com Niobe: Ártemis matou as filhas porque Niobe ousou a si mesma igualar a Latona. Disse que esta havia gerado dois filhos, ela muitos: e aqueles, só em dois, os seus exterminaram todos. Jazeram nove dias cadáveres; e ninguém havia para sepultar, pois em pedra as gentes tinha Júpiter convertido: sepultaram—nos enfim no décimo dia os Olímpios.
Relação entre o número de filhos (doze, quatorze ou vinte) e as unidades de tempo do calendário grego.
Período de nove dias de abandono e sepultamento no décimo dia como um terço do mês lunar.
Os números atribuídos aos filhos de Niobe explicam—se pela conexão com as fases e a visibilidade da lua.
O número quatorze como alusão ao mês quadripartido ou à metade do mês lunar.
Unidades de nove ou dez dias refletindo o jejum de Deméter ou as dores de parto de Leto.
Nascimento de Apolo no vigésimo dia do mês segundo a cronologia decimal.
Leto e Niobe representam as polaridades da luz e da escuridão no ciclo do mês lunar.
Leto como deusa da lua cheia e do esplendor em conjunto com os filhos.
Niobe como deusa da metade escura ou da lua minguante.
Identificação de Niobe como a mãe primordial que herda o hemisfério da obscuridade crescente.
Um registro pictórico de Herculano apresenta o erro original de Niobe durante um jogo de astrágalos com Leto e outras companheiras.
Presença de Aglaie, Hilaeira e Foibe junto às deusas principais.
Leto e Niobe eram muito amigas.
Representação da esfera primordial onde não havia distância entre o divino e o humano.
As companheiras de jogo de Niobe possuem nomes que as vinculam às Carites ou às Leucípides, reforçando o simbolismo lunar.
Aglaie identificada como uma das Carites em Hesíodo.
Hilaeira e Foibe como as irmãs raptadas pelos Dióscuros.
Relação das Leucípides com Apolo e as fases do percurso da lua.
As Carites representam as fases da luz lunar e a transformação da ridda celeste em dinâmica espiritual.
Veneração de duas Carites em Esparta chamadas Cleta (a invocada/lua nova) e Faena (a esplendente).
Auxo (a crescente) e Hegêmone (a que precede) como nomes atenienses para as fases lunares.
Graça espiritual inseparável da natureza expressa pelo termo charis.
O jogo de cinco pedrinhas nas mãos das divindades ilustra a alternância necessária entre vitória e derrota no ciclo existencial.
Aglaie e Hilaeira imersas na partida enquanto Leto se afasta irritada.
Culpa trágica de Niobe manifesta no desejo de vencer a todo custo e interromper o círculo.
Recusa de Niobe em aceitar a derrota que faz parte da dança das tríades.
A fixação de Niobe no hemisfério escuro consagra—a como o protótipo da dor da alma humana.
Transformação da deusa lunar em uma mãe que chora o perecer dos filhos.
Perda do retorno perene devido ao isolamento em uma única fase do ciclo.
Cristalização da condição humana no pranto incessante de uma figura petrificada.