O poema Prometeu de Goethe expressa uma espiritualidade subjetiva que rompe com a estrutura da tradição mitológica grega.
Cobre o teu céu, Zeus, com vapor de nuvens e exercita—te, como o menino que corta cabeças de cardos, em carvalhos e cumes de montanhas.
Deves deixar—me ficar a minha terra e a minha cabana, que não construíste, e o meu fogão, por cuja brasa me invejas.
Não conheço nada mais pobre sob o sol do que vós, deuses.
Quando eu era criança e não sabia para onde ir, voltava o meu olho extraviado para o sol, como se acima houvesse um ouvido para ouvir a minha queixa, um coração como o meu, para apiedar—se do oprimido.
Quem me ajudou contra a soberba dos Titãs? Quem me salvou da morte, da escravidão? Não completaste tudo por ti mesmo, coração sagradamente ardente?
Eu honrar—te? Por quê? Aliviaste as dores do carregado? Estancaste as lágrimas do angustiado? Não me forjaram homem o tempo onipotente e o destino eterno, meus senhores e teus?
Aqui estou sentado, formo homens à minha imagem, uma estirpe que seja igual a mim: para sofrer, para chorar, para gozar e alegrar—se e não te respeitar, como eu.