O traço moderno que se destaca claramente na experiência de Goethe naquele tempo é o isolamento de todo homem — um destino que o poeta aceitou resolutamente.
Seu Prometeu era semelhante ao antigo deus que seguia seu próprio caminho ao abraçar a causa dos homens, e no entanto não se assemelhava aos verdadeiros Titãs “gigantescos, que assaltam o céu” — esse Prometeu apenas desejava se isolar e por isso não queria ser um deus, mas fundar uma “terceira dinastia”: a humanidade.
Goethe viu o menino Prometeu na situação da criança órfã primordial do mitologema original — seja pensando em Héracles ameaçado pelas serpentes ou na criança Dioniso despedaçada pelos Titãs; o Prometeu assaltado pelos Titãs não é mais mitologia grega, mas uma mitologia criada por Goethe.
De todas as tradições concernentes a Prometeu, Goethe escolheu adotar uma pictórica baseada em um desenho a partir do relevo do sarcófago romano em Montfaucon: ali senta Prometeu, formando a imagem de um homem, ao lado uma cesta de argila, à sua frente uma figura acabada recebendo de Minerva uma alma em forma de borboleta.
O Prometeu de Goethe não é deus, Titã nem homem, mas o protótipo imortal do homem como rebelde original e afirmador de seu destino — o habitante original da terra, visto como antideus, como Senhor da Terra; nesse aspecto parece mais gnóstico do que grego, e pertence à história mais recente das ideias, antecipando a visão nietzschiana ou existencialista do homem.
O mitologizar do jovem Goethe não pôde ressuscitar a figura clássica de Prometeu, mas inevitavelmente deu origem a uma figura completamente moderna, cujo efeito sobre a geração mais jovem era muito temido pelo velho mestre na época em que as páginas perdidas reapareceram.