A história do sacrifício primordial pressupõe que deuses e homens ainda não haviam sido separados pelo “poder separado” de que fala Píndaro — e essa kekriména dýnamis se produziu quando em Mecone deuses e homens disputaram (ekrínonto) no sentido de “separar” e “diferenciar.”
Mecone, o Lugar das Papoulas (de mḗkōn, “papoula”), era geograficamente pensada como situada na vizinhança da cidade peloponésia de Sícion, perto de Corinto, e mitologicamente no reino das deusas da papoula, Deméter e Perséfone.
Hesíodo descreve: Prometeu colocou para os deuses os ossos brancos ornados com habilidade e cobertos de gordura brilhante, e para os mortais a carne e as entranhas cobertas de gordura sobre o couro, cobrindo-as com um bucho de boi; Zeus, pleno de eterno conselho, viu e não deixou de perceber o estratagema, e em seu coração pensou malícia contra os homens mortais que também se cumpriria.
O sacrifício fundador do mundo cristão pretendia significar uma reconciliação, a resolução de uma tensão, uma anulação da diferença entre Deus e homem — ao contrário do ato de Prometeu, pelo qual o narrador buscou explicar por que, em certos sacrifícios dos gregos, os deuses recebiam as porções mais atraentes mas menos palatáveis.
A ideia do sacrifício grego abrange tanto a distinção quanto o vínculo comum entre deuses e homens — e Hesíodo situa essa ideia do sacrifício, com sua implicação de equilíbrio e ausência de conflito, na idade de ouro; caracteriza o sacrifício como ato de fundação, como o fundamento do mundo, sublinhando a diferença na divisão e explicando-a com base em um contestação.