O omphalos de Eleusis, como o de Delfos, significava um vínculo entre o mundo inferior e o céu e a terra, e provavelmente se situava no Plutônio, a gruta que indicava a entrada para o mundo inferior.
-
O termo navio de um lugar de culto derivava do antigo Oriente, onde significava um vínculo entre o céu e a terra.
-
Fundações recém-descobertas no Plutônio podem ser as bases do omphalos, embora os arqueólogos ainda não tenham reconhecido essa possibilidade.
O pais aph' hestias, o menino do lar, escolhido por sorteio entre as famílias mais distintas de Atenas e iniciado à custa do Estado, executava as ações sagradas prescritas em nome de toda a comunidade festiva.
-
O menino não necessitava de purificação prévia, pois era tomado diretamente do lar familiar e conservava o estado de inocência original.
-
Seu protótipo mitológico era Demofonte, o filho do rei que Deméter quis tornar imortal no fogo e deixou no chão junto à lareira.
O Telestérion, projetado por Ictinos no período de Péricles, era um edifício retangular de 58 por 58 metros com entradas em três lados, uma floresta de colunas e uma abertura no teto que funcionava como chaminé.
-
O Anactóron, pequeno edifício retangular dentro do Telestérion, era o núcleo antigo imóvel em torno do qual o grande edifício foi sucessivamente ampliado.
-
O trono do hierofante ficava à direita da única porta do Anactóron, voltado para ela, protegido por um teto próprio próximo ao fogo que irrompia.
-
O título hierofantes não significa aquele que mostra as coisas sagradas, mas aquele que as faz aparecer, phainei.
O hierofante proclamava em voz alta e cantante, sob o grande fogo noturno, que a Señora havia dado à luz um filho poderoso, Brimo havia dado à luz Brimo, o Forte ao Forte.
-
Brimo é principalmente uma designação para a rainha do reino dos mortos, aplicável a Deméter, Core e Hécate em sua qualidade de deusas do mundo inferior.
-
O nascimento no fogo tinha paralelos mitológicos: Dioniso nasceu entre os raios que consumiram Sêmele, Asclépio nasceu na pira funerária de Corônis, e Deméter colocou Demofonte no fogo para torná-lo imortal.
-
Marcas de fogo dos períodos protogeométrico e geométrico, por volta de 1100 a 700 a.C., foram encontradas no terraço onde o templo dos mistérios já estava situado, sugerindo que pessoas se faziam cremar ali para ficar perto da deusa dos mortos.
O hierofante batia o echeion, instrumento semelhante a um gongo de efeito aterrador, ao chamar Perséfone, e a epopteia começava com visões inefáveis da deusa do mundo inferior.
-
O echeion era usado no teatro grego para imitar o trovão e provavelmente fora tomado de um culto arcaico dos mortos.
-
Sófocles, em Édipo em Colono, representou com arte e contenção a epifania de Perséfone na cena em que o trovão do Zeus subterrâneo ressoa e Édipo segue Hermes e a deusa inominável até o Hades.
-
Numa segunda fase da cerimônia, o hierofante, em profundo silêncio, exibia uma espiga de trigo colhida, memento concreto de tudo o que Deméter e Perséfone haviam dado à humanidade.
A visio beatifica eleusina era uma visão com olhos corporais abertos, como atestam os relatos de cura de um cego em Eleusis e o vocabulário da epopteia, que implica um ver real e não figurado.
-
A tábua votiva de Eucrates, do século V a.C., com dois olhos recortados acima da inscrição e a cabeça de uma deusa cercada de raios vermelhos, provavelmente aludia à epifania de Perséfone.
-
Sócrates no Fedro descreve uma visio beatifica filosófica superior à eleusina, usando os termos telete, myesis, epopteia e phasmata felizes, confirmando indiretamente que visões eram vistas no Telestérion.
-
A linguagem dos autores posteriores, que chamavam as visões eleusinas de phasmata inefáveis e sagrados, derivava da formulação platônica, que havia rebaixado a visão eleusina ao classificá-la como espectral e vacilante.
O episódio do brâmane Zarmaros, que em 20 a.C. assistiu à epopteia a convite de Augusto e em seguida se lançou sorrindo ao fogo como sacrificium beatificum, ilustra uma avaliação negativa da visio beatifica eleusina por um ponto de vista oriental.
-
Augusto havia sido iniciado em Eleusis imediatamente após sua vitória em Âncio e retornou à Grécia em 20 a.C., quando recebeu a embaixada indiana.
-
O ato do brâmane tinha caráter emulativo e de arrogância oriental, como observou o filósofo cínico Onesícrito, que acompanhou Alexandre em campanha.
-
O monumento funerário de Zarmaros foi erguido em Eleusis, e Eurípides, nas Suplicantes, prova que o sacrifício voluntário pelo fogo era considerado permissível junto ao altar de Deméter.