Dioniso é antes de tudo UM MASQUE, potência lunar que dirige a atmosfera, o Orage, os Líquidos vitais e mais tarde o Vinho — bebida de exaltação desde sua invenção —, sendo a CABEÇA QUE SE METAMORFOSEIA nos traços e na forma de seu rosto tanto quanto em seu conteúdo mental, podendo essa cabeça mutante abandonar os limites do bom senso, passar de um impulso para o alhures e entrar em comunicação com a vibração secreta das coisas.
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O masque gorgoniano ligado continuamente às outras representações de Dioniso nas taças e vasos, como testemunham as cerâmicas de Vulci.
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Cabeças de Dioniso suspensas no ar como expressão desse mesmo conjunto simbólico.
Muito tempo depois, entre os Celtas, uma cabeça ritualmente cortada terá potência de adivinhação, em espelho desta Lua-Cabeça sem corpo, soberana das viagens da alma do outro lado do real aparente.
O masque gorgoniano dionisíaco é o que pode — com ou sem o auxílio da Hera, a planta psicotrópica — desencadear o delírio, o fluxo de imagens e o jato de energia inabituais classificados no capítulo da loucura.
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Nota de rodapé: MEN, MON, MOON, MIN equivalem a Lua Mania, a exaltação lunar, a loucura, o coup de lune; maníaco equivale a lunático; Mainad é a lunar possuída de Dioniso, a sacerdotisa em delírio; MENT é o mês, o cálculo, o mental; mental case equivale a louco; e Man é uma Cabeça pensante, um homem.
Todo o mito de Dioniso está impregnado dessa potência formidável, que não é senão sound and fury, e a questão permanece aberta de se há, nas fontes do teatro, tema mais dramático.