O tema MeT implica os conceitos lunares de Cabeça cortada, feitiçaria, cálculo dos ciclos e ebulição dos líquidos, presente em Sek-Met e explodindo em Medousa, a MEDUSA, Cabeça cortada, herdada ela também de uma cabeça de Fauve.
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Nota de rodapé: MT ou M.D. equivale a Met, Mit, Med, Mid; como em Médée, a feiticeira; e em grego clássico Medousa significa aquela que governa (medaô).
Basta comparar os traços dos Leões funerários guardiões do Além, da Górgona antefixo em terracota protetora do Raio, da Trindade leonina do templo da Ártemis-Górgona de Corfu, e da multidão de Esfingos, para constatar que essas imagens são variantes herdadas de uma mesma imagem sagrada, onde o rosto redondo se humaniza progressivamente em rosto de mulher à medida que desaparecem os ritos totêmicos e xamânicos em favor de uma religiosidade antropomórfica.
A Górgona de Corfu, arcaísmo grego, marca exatamente a charneira na passagem progressiva da figura de Fauve para a figura humana, com presas ainda de carnívoro e cabeleira intermediária entre o cacho e a crina.
Mesmo suavizado em Esfinge, o Leão das Chuvas e dos Ventos, como diz Homero, permanece sempre evocador do espaço, pela sua posição no cume ou suas asas, da Água despejada a torrentes — reinando longamente sobre as fontes, cuspindo água —, e da passagem para uma outra vida.
O Fauve noturno que coloca em transe na descarga vital ou mortal do Orage, o Fauve vindo do Além, tem seu rosto luminoso errando sem corpo e progressivamente se mascarando de negro de noite em noite até desaparecer inteiramente nas noites sem lua.
Esse rosto de Fauve, tornando-se progressivamente rosto humano gorgoniano, joga sobre fundo de noite um jogo enigmático com as constelações.
O jogo visual que daí resulta recebe o nome Theaô — contemplo religiosamente — Astra — os astros —: THE-ATRE.
Dioniso, ligado a esses conceitos, pode ter deixado entre os Gregos a lembrança de uma divindade presidindo as primeiras manifestações do Teatro.
Uma questão se impõe que exige como resposta um mito explicativo.