As imagens sucessivas do mito formam uma unidade profunda: a força criadora do universo, em tensão perpétua, que passa pela Via Láctea (Sw. R, Swara, Hera) nas proximidades da constelação do Touro, manifesta-se essencialmente como o Raio, que cria e destrói continuamente todas as coisas, tornando Dioniso o símbolo do ser vivo criado, presa das tensões contraditórias inerentes ao movimento de criação.
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Dioniso-Zagreus, a Criança despedaçada: imagem do ser humano
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os humanos: avatares de um combate cósmico
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As cinzas dos Titãs fulminados contêm os germes dos seres vivos, de modo que o mal em nós é herança das violências das forças primordiais, e o Bem é a parcela de inocência ingerida por essas forças e adquirida pelo sacrifício da Criança-Deus — todos os elementos de uma religião da Salvação.
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Segundo Diodoro de Sicília, Dioniso-Baco-Zagreus estabeleceu seu culto na Trácia e transmitiu o segredo de seus transes sagrados a uma linhagem que, em três gerações, chegou a Orfeu, originando o Orfismo e cultos de grande influência sobre o Cristianismo nascente.
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Em todas essas imagens, Dioniso é nascido e germinado do Fogo celeste tanto quanto criador e semeador de Fogo nos seres vivos.
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O atributo fundamental do deus em todas as mitologias é o Raio — imagem muito antiga e provavelmente anterior ao próprio Zeus da Grécia clássica —, e é essa eletricidade celeste cegante que projeta o cortejo do Patrono do Teatro ateniense numa mentalidade mais arcaica, impregnada da obsessão e da veneração da Tempestade.