TEMPESTADE

René-André Lombard. L'Enfant de la nuit d'orage

Alguns vocábulos sagrados pré-pondeuropéus P.T ou PH.T ou P.T.R ou P.R.T

Vocábulo da potência criadora da Tempestade, jorro do relâmpago e desencadeamento da água fecundante.

Ptuö ou Phtuö, grego: eu cuspo.

É Ptah ou Phtah, o deus de Mênfis em toda a sua potência, modelador do mundo, o ferreiro do relâmpago, fundidor de metal, inventor das artes, patrono de todos os criadores, assimilado desde a antiguidade a Sw.-Phaïst: Hé-Phaïstos (Hefesto).

Forma masculina de Sekh-Met ou Sekh-Mis, a potência lunar com rosto de Leoa, que é sua esposa e sua “grande amiga”, ele também apresenta toda a gama de suas potencialidades lunares:

  1. Ele é “o belo rosto”, redondo, coberto com o estreito gorro de invisibilidade.
  2. Ele é “aquele que faz entrar e sair” e o hieróglifo de seu nome traduz esses dois verbos.
  3. Ele é o Deus-menino, “Ptah o Embrião”, com renascimentos regulares.
  4. Ele se encarna na forma taurina de Hâpi, o Boi Ápis, que é o “Renovamento de Ptah”, símbolo mesmo desse renascimento do Ano e da Vida no momento em que a Cabeça-Lua entra na constelação do Touro, o Touro negro da noite que ele engendrou ele mesmo de um golpe de relâmpago.

Todos esses temas visuais, vamos reencontrá-los, persistindo com uma surpreendente vitalidade até nossos dias, na semântica do tema P.T, PH.T e de seu composto, enriquecido pelo vocábulo da Água violenta, RH (Rheô: eu flúo violentamente), o vocábulo P.T.R ou P.R.T

P.T, luz do relâmpago: Sw.Pt, outro nome egípcio de Sirius. Phot, Phôs, grego, a luz (foto).

P.T, desencadeamento das Águas, fecundantes ou diluvianas: Nw.Psht.M, Na-Pisht-im, o Noé mesopotâmico, ligado ao Dilúvio universal, correspondente, sílaba por sílaba, a N.w.Pt.N Ne.Ptu.nus, Netuno, o Senhor das Águas e das Tempestades latino, e a Nw.Pht, Ne.Phtis (Néftis), imagem gêmea de Ísis, esposa de Seth o Senhor das Tempestades e a Nafta, o líquido carregado de fogo, nome antigo do petróleo.

Pos.WD.N, W.D.N.: Wotam, Odin, (Don, Dan, Danaide, outro vocábulo do trovão e da Água da tempestade): Posei.Don, Poseidon, o Senhor das Águas e das Tempestades grego.

P.R.T / P.T.R, a Cabeça-Lua, senhora da Tempestade, donde os casais: P.T e S.K-MeT, Ptah e Sekhmet; P.DR e SwL.N, Páris/Páris e Helena, atração de amor e tempestade da guerra (Pt.L.M, ptolemo, polemo, a guerra).

P.R.S e M.T, Perseu/Perseu e Medusa a Górgona, sacrifício ritual, decapitação lunar, correspondente na Lituânia a:

P.R -KwN, Perkuns, Senhor do Relâmpago e Cortador da Cabeça-Lua e em Corfu a P.R.-Kw, Phorkus (Fórcis), Pai da Górgona Cabeça-Lua.

São todas imagens que estão subjacentes a P.R.D/P.R.S.: Peredus, Perceval, Parsifal (céltico e germânico), como a P.T.R, Pietr, Piotr, Peter, Petros, Pietro, Pedro, Pierre (Pedro), PIERROT (Pedrolino), que é também o PITRE (palhaço) e Persona, a MÁSCARA DE TEATRO, desde que o sacrifício se tornou “espetáculo”.

P.T ou P.T.R, Potência de renascimento, parto: no registro feminino: P.R, P.R.T, pario, parturio, latim, eu dou à luz.

P.R.T., Parthéno, a Potência lunar ao mesmo tempo imaculada e reguladora dos nascimentos: Atena-Parthénos (Atena Partenos), donde o Parthénôn (Partenon), seu templo e Parthénos, a jovem que dará à luz, ainda virgem.

No registro masculino: P.T ou P.S ou P.T.R, a potência sexual e a mestria patriarcal masculinas opostas a M.T e M.T.R, a partir do patriarcado Path (sânscrito), Posis, Des-Potes (gregos), Potis (latim), Pitar (sânscrito), piter, Pater (grego, latim), Father (germânico) etc… Pot sum, Possum (latim: eu posso). Potência, possível, etc…

Mas o hieróglifo de Ptah, que pode ser lido “eu abro” e “eu fecho”, nos mostrou que P.T ou P.R.T. , é também a Porta: Porta, portus, poros, porthmeuô, ford, fjord, P.R.T é o vocábulo mesmo da Passagem em indo-europeu, onde designa alternadamente a Porta, o vau, a enseada, o porto, a fenda, o desfiladeiro, o colo, tudo o que permite chegar a algum lugar. E Per, prefixo e conjunção marca a passagem e a intermediação.

Assim Porthmeus, o Barqueiro das almas, tinha se tornado prosaicamente barqueiro a serviço das empresas humanas ao nível da crosta terrestre.

Mas muito antes, PT.h, o criador de formas com rosto lunar, tinha sido o passador da energia fecundante. Essa energia que é una através da multiplicidade das aparências vivas, conceito essencial do antigo pensamento xamânico e que só ele permite compreender os mitos lunares.

O fogo do Relâmpago está adormecido na vegetação rasteira da pedra-sílex, como a Tempestade na Cabeça-Lua branca, como a energia vital na estátua rígida, envolvida na mortalha dos mortos de Ptah, e como Petros o lunar em Petra, a Pedra.