Um pesadelo ou visão de pesadelo é retratado em Gênesis na luta de Jacó com o homem (Elohim) durante a noite.
Jacó ficou sozinho, e um homem lutou com ele até o amanhecer; o homem feriu a articulação do quadril de Jacó, deslocando-a.
O homem pediu para ir embora ao amanhecer, e Jacó disse: “Não o deixarei ir, a menos que me abençoe”.
O homem mudou o nome de Jacó para Israel e o abençoou; Jacó chamou o lugar de Peniel (“Vi Deus face a face, e minha vida foi preservada”).
Os israelitas não comem o músculo da coxa na articulação do quadril até hoje, porque ele feriu Jacó na articulação.
A ideia de que os mortais que veem Deus contra Sua vontade devem morrer ou ficar cegos é generalizada (Acteão, Sémele, Tirésias).
Embora não seja explicitamente declarado como um sonho ou pesadelo, dificilmente há dúvida após todas as evidências, e qualquer outra interpretação é inconcebível.
Comentadores recentes de Gênesis veem a luta como uma ficção ou mito, mas rejeitam a opinião anterior de que é um sonho.
Dillmann afirma que “a luta com Deus, como entendida pela lenda, foi uma ocorrência física no mundo material”, sem prestar atenção ao fato de que pesadelos vívidos frequentemente aparecem como experiências externas objetivas, e que todos os motivos da lenda (como a paralisia do quadril) recorrem em pesadelos.
O fato de a luta não ser especificamente designada como experiência onírica não é um obstáculo, pois sonhos e pesadelos vívidos já foram descritos como experiências factuais.
O Eloísta, que escreveu a lenda, também faz Deus se revelar em sonhos em outros lugares.
O motivo da luta noturna ocorre frequentemente em sonhos e pesadelos; Artemidoro diz: “O sonho, que traz vitória a um dos dois lutadores, que mantém sua força até o amanhecer”, e “uma luta com um oponente desconhecido significa perigo através de doença”.
Veckenstedt conta sobre o demônio do pesadelo eslavo Serpolnica: “Uma mulher foi atacada por Serpolnica e lutou com ela por uma hora inteira até que soasse uma hora, quando o fantasma a deixou”.
A duração da luta até o amanhecer e o pedido do homem para ser solto porque o dia está amanhecendo é um motivo do pesadelo, pois os demônios noturnos estão ligados à noite e à escuridão e devem fugir se uma luz é acesa ou se o dia amanhece.
O primeiro raio de luz do dia ou o primeiro canto do galo bane os demônios noturnos; uma lenda lituana sobre os Caucie (pequenos demônios do pesadelo) conta que um camponês acendeu uma tocha ou manteve três galos acordados para que cantassem durante a noite, e os Caucie desapareceram.
O fato de Jacó perguntar o nome ao homem e ele não querer divulgar aponta decididamente para um pesadelo; na superstição germânica, é preciso chamar o demônio pelo nome para capturá-lo e tê-lo em seu poder.
Grohmann escreve: “Quando a pessoa assombrada dirige-se à forma animal sentada sobre ele pelo nome da pessoa que está causando o pesadelo na metamorfose do animal, a pessoa estará diante dele em sua forma humana e não poderá mais machucá-lo”.
Bühler: “Se você sabe o nome de um Doggi ou de um Fänken, você o tem em seu poder”; a mesma crença existe entre os eslavos Wends com o demônio Murawa.
Laistner: “Se você pode mais ou menos conjecturar quem é que você sente estar deitado sobre você, você deve chamá-lo pelo nome, e a Murawa escapará”; esse motivo é importante em contos de fadas e sagas, como Rumpelstilzkin.
A deslocação do quadril de Jacó pode ser explicada por dores reumáticas contraídas ao dormir descuidadamente ao ar livre, conhecidas como “disparos” de bruxa ou demônio.
O “golpe” das Nereidas gregas era dirigido contra pessoas que dormiam ao meio-dia em lugares isolados perto de nascentes e riachos, manifestando-se por doença mental ou física.
O demônio do pesadelo de Brandemburgo, Scherber, golpeia a vítima no calcanhar com uma faca curva, assim como nas regiões alpinas austríacas é perigoso pisar descalço nas pegadas da Hafergeiss, sentindo-se imediatamente o Gallschuss (um tiro de bile), uma dor penetrante causada por reumatismo ou gota.
A bênção que Jacó forçou o homem derrotado a lhe dar também é um motivo do pesadelo; a Medine lituana compensa ricamente quem a vence, mas o devora se for derrotado.
A vitória sobre o demônio do pesadelo frequentemente consiste em agarrar o gorro do espírito e forçá-lo a conceder ou divulgar um tesouro – Petrônio sabia disso: “Aquele que roubou um cabelo do íncubo encontra um tesouro”.
Entre os habitantes da floresta de Sandomier, o demônio do pesadelo Vjek se deita sobre o dorminhoco e comprime seu peito; se alguém consegue arrancar o gorro do Vjek, ele traz muito dinheiro.
A bênção também pode consistir na comunicação de segredos importantes e úteis ou na concessão de força e boa saúde, característica desenvolvida nos espíritos domésticos germânicos que são ao mesmo tempo demônios do pesadelo.