Ludwig Laistner — o erudito e engenhoso autor de O Enigma da Esfinge — não conseguiu, apesar de seus valentes esforços, tratar e esclarecer as tradições e concepções gregas e romanas sobre pesadelos e demônios de modo suficientemente rigoroso para as exigências acadêmicas.
Essa deficiência numa obra meritória em muitos aspectos deve-se a duas razões: primeiro, por sua posição compreensível e desculpável como especialista em estudos germânicos, Laistner só pôde recorrer à esfera da mitologia alemã como um todo, carecendo de um conhecimento óbvio e fundamental das fontes gregas e romanas.
Segundo, porque tentou escrever uma obra que agradasse a um grande número de pessoas — seu estilo é mais literário do que acadêmico, sempre estimulante, mas frequentemente carente da moderação desejável e da autocrítica rigorosa de uma obra genuinamente acadêmica.
Isso vale não apenas para suas palavras gregas e latinas e nomes próprios — às vezes demasiadamente ousados e por vezes repletos de etimologia sem sustentação —, mas também para seu fracasso total em elevar o sonho, e em particular o pesadelo, ao princípio principal e fundamental de toda a mitologia.
Por essas razões, foi necessário desconsiderar e evitar o livro de Laistner no tratamento dos pesadelos e demônios, limitando-se a tomar ocasionalmente paralelos individuais e valiosos do alemão e do eslavo, e mencionando aqui e ali as visões e explicações de Laistner para concordar ou discordar delas.