A imitação rítmica constitui a base de quase toda a atividade espiritual e material primitiva, estendendo-se da prática religiosa totêmica à caça e ao domínio da natureza.
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O caçador primitivo, sem a superioridade da arma de fogo, deve aproximar-se do animal e atraí-lo com gritos de cio ou de perigo.
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Existem caçadores que, com palavras místicas, conseguem paralisar temporariamente os animais, sendo a flecha apenas a ratificação de uma vitória já obtida.
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Possuir o ritmo essencial de um indivíduo ou animal equivale a capturá-lo e dominá-lo pelo conhecimento de seu nome, isto é, da lei íntima desse ser.
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A imitação completa de um indivíduo vivo é impossível por definição: dois ritmos executados por dois homens diferentes nunca são fenômenos idênticos.
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A imitação puramente exterior facilmente carrega má intenção; a imitação interior só pode realizar-se com base em simpatia.
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Essas duas formas de imitação estão na base da distinção corrente entre magia negra e magia branca.
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Indivíduos com pouca personalidade própria são mais facilmente submetidos aos efeitos da magia imitativa, pois sua maneira de ser é quase inteiramente formada pelo ritmo coletivo.
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A humanidade moderna, em sua maioria massa uniforme de seres não individualizados, sofre essa sujeição com intensidade extraordinária.
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O poder do caçador-mago pode explicar-se pela ausência de individualidade nos animais, cujos membros de uma mesma raça obedecem a modelos de ação ainda mais uniformes que os da sociedade humana primitiva.
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O poder do mago emana de autoridade e intuição, não de grau elevado de inteligência discursiva.
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O homem primitivo não é um ser de pouca inteligência ou cultura espiritual, mas apenas um ser humano com poucos objetos de civilização material.