CANTAM OS ANIMAIS

Marius Schneider

Nas culturas primitivas, são inúmeras as histórias que nos contam sobre a superioridade moral dos animais em relação aos homens. Dizem que as características morais que mais se destacam no animal são um julgamento preciso das coisas e uma grande fidelidade. Além disso — e isso também é considerado um argumento de superioridade moral — ele é muito aficionado por música. É verdade que os animais podem ser terríveis quando estão famintos, mas nunca são maus por natureza. Somente o homem pensa conscientemente em fazer o mal, enquanto sorri para o vizinho que deseja matar. O animal não pensa, nem fala, nem mesmo sorri. Não vive para matar, nem mata para dominar. Ele ataca apenas quando não lhe resta outra solução para preservar a vida. Além disso, o animal é muito pacífico e até mesmo medroso. Não há dúvida de que a guerra contra as feras é um fenômeno terrível. No entanto, o animal, mesmo neste momento, conserva toda a sua dignidade, pois desconhece os compromissos simulados e as ambiguidades hipócritas que caracterizam a guerra do homem. O animal comporta-se sempre de maneira fixa e unívoca, enquanto o ser humano é um ser essencialmente ambíguo. O animal diverte-se brincando; o homem aproveita a maior parte do tempo livre para inventar mentiras, incomodar os outros e compor canções de escárnio. Assim pensavam muitos dos negros que pudemos estudar.

Os homens das culturas totêmicas e pré-totêmicas consideram, além disso, muitos animais como seres místicos e portadores de um grande conhecimento intuitivo. Esses animais são encarnações dos ancestrais humanos ou de deuses protetores, que possuem uma linguagem própria, embora difícil de entender para nós, mas muito expressiva e muito clara para eles e para os homens primitivos.

Culturas pré-totêmicas e totêmicas

Culturas médias e altas