No curso dessa evolução, os ritmos puramente acústicos tornam-se visíveis, e com a irrupção da luz desenvolve-se o espaço, a delineação das figuras, a individuação e o pensamento conceitual sólido.
A matéria acústica primordial persiste, audível ou inaudível, como núcleo metafísico em tudo que foi criado, mesmo que profundamente oculta nos objetos mudos.
A rede de Maya, a confusão dos sentidos, torna-se continuamente mais densa porque a luz crescente e a corporeidade crescente encobrem o fundo acústico, levando o homem a confundir a aparência da corporeidade com a verdade.
Maya não começa com o advento da luz, mas já com o som primordial, pois para a filosofia indiana antiga a verdade última não é o som, mas o nada silencioso e a completa ausência de conceitos e forma.
A verdade última é por sua natureza informe e, por isso, não pode se manifestar; a formulação puramente acústica e musical é a que mais se aproxima da verdade informe, por soar sem conceitos e sem estar confinada a símbolos materiais concretos.
De todos os modos de expressão existentes, a música é o mais efêmero e dissolúvel; seu meio, o ar vibrante, pode ser considerado o mais sutil de todos os tecidos.
Como criadora dos ritmos e formas primordiais do mundo, a música supera todas as energias cósmicas, pois suas possibilidades rítmicas são maiores e mais multifacetadas do que as de qualquer outra energia ligada à matéria concreta.