Os ritmos que invadem os objetos classificam-se em ritmos gerais, quando se trata de puras ideologias, e ritmos típicos, quando a ideia já foi concebida sob certa modalidade sensorial objetivada.
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Um ritmo geral é a ideia da cólera em seu aspecto puramente ideológico e abstrato; os ritmos típicos são representações sensoriais objetivadas dessa ideia, como a cólera do leão.
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O ritmo típico é essencialmente unívoco; o ritmo específico indica modalidades do ritmo típico num indivíduo determinado — o leão em terreno plano, saltando ou rampando produz ritmos específicos, mas todos leoninos.
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O ser humano, em oposição aos outros seres, não é unívoco mas equívoco: sua natureza é uma repetição microscópica dos ritmos do macrocosmo, e sua constituição polirrítmica lhe permite imitar e conhecer grande número de ritmos da natureza.
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Os seres unívocos são incapazes de assimilar ritmos alheios; o ser humano ocupa o primeiro lugar entre os seres polirrítmicos, e esse caráter é a base de sua superioridade e de sua depravação.
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Para o pensamento místico primitivo, a natureza polirrítmica do homem é uma agrupação de ritmos unívocos cujos choques determinam o caráter equívoco e a inquietude espiritual humana.
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Os ritmos específicos humanos são reflexos de ritmos unívocos de animais ou plantas, e o ritmo típico preponderante denuncia o tótem e indica o abolengo místico.
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Esse traço típico raramente se acusa claramente na superfície do ser humano, revelando-se apenas em certos momentos; daí a atenção do primitivo se dirigir preferencialmente a fenômenos raros, fugitivos, anomalias e miudezas cotidianas, até descobrir o ritmo animal típico que se transluz nos ritmos específicos.