A distinção entre a mãe como natureza bruta e intacta, a “mãe-montanha” dos Gregos, e a mãe como terra lavrada e cultivada.
A manutenção do primeiro caráter sob os nomes de Ártemis, Cibele, ou as figuras germânicas Holda e Dama Holle.
A emergência da segunda figura, personificando a terra cultivada, sem que isso implique uma “deusa da cultura” no sentido teórico, mas antes a forma como o primitivo experimenta e personifica a natureza cultivada.
A terra como nutriz, Gaia Kourotrophos, cujos kouroi (crianças) incluem a prole vegetal, animal e humana, representada com crianças, animais jovens e flores no colo.
A persistência da concepção da potência animada nos costumes populares, desde o antigo
Egito até aos camponeses modernos, como nos ritos em torno do “último feixe” de cereal, visto como o conservador do poder do campo.
A evolução da personificação, desde um receptáculo vegetativo até à sua representação como um animal (o galo ou o bode da colheita) e, posteriormente, à sua antropomorfização, como vestir o último feixe ou bater ritualmente nas mulheres.
A ausência de uma alegorização dos elementos naturais, substituída por uma impressão de comunhão de essência entre a vida do homem e a da terra, onde a terra é uma mulher e a mulher pertence à terra.
O significado de costumes como o grito polaco “cortaste o cordão umbilical!” ao homem que corta o último feixe, ou a designação escocesa do espírito do trigo como “a servente”.
A figura grega de Deméter como a mãe do grão, a terra produtora de cereais, com irmãs em todo o mundo, como a “Mãe do Centeio” germânica ou a Mãe do Arroz no Java.
O momento solene do corte de uma espiga como o ponto culminante dos mistérios de Deméter, a quem o arado é consagrado.
A relação entre Deméter e a sua filha Kora (a “Donzela”), originalmente outra mãe-terra posteriormente transformada em sua filha, representando ambas facetas da antiga Gaia: a mãe em plena maternidade (o fruto maduro) e a mulher jovem (a flor).
O mito do grão que deve morrer para dar fruto, posteriormente glorificado no mito do rapto e da dor maternel, mas que no calendário agrícola significava o transporte da semente para os celeiros subterrâneos.
A ligação intrínseca entre o nascimento e a morte do grão e os do homem, onde anodos e katagogia são as peripécias eternas da existência, e Kora-Perséfone é tanto a juventude morrente do trigo como a condutora graciosa da juventude.
O papel de Deméter como parteira (Eileithyia) e a designação dos mortos como Demeterioi.
A relação íntima entre a mulher e o cultivo do solo, onde o culto de Deméter é um ofício feminino, e em todo o mundo a mulher cuida da economia rural e dos seus ritos.
As origens desta distribuição de funções na transição entre a civilização dos caçadores e a agricultura sedentária, onde o homem caça e a mulher cuida do campo, uma divisão enraizada não em preguiça ou dominação, mas no sentido religioso da interdependência entre a mulher e o campo.
A identidade fundamental: a mulher é um campo cultivável, o campo é uma mulher fértil, como atestam os ritos de mulheres nuas a empurrarem o arado na Índia antiga.
O tema universal da mulher como um campo, presente na poesia de todos os tempos, desde o sábio egípcio Ptahhotep, que a chama de “um pedaço de terra útil ao seu proprietário”, até aos cantos de amor egípcios, ao Vendidad persa, e aos poetas gregos como Sófocles.
A persistência da comparação no folclore e na comédia popular, e a sua elevação na teologia, onde a Virgem Maria é exaltada como uma “terra ainda não comprimida pelo trabalho, ainda não subjugada pela sementeira” ou uma “terra não arável, que deu à luz um fruto”.
A inversão da metáfora, onde a terra é chamada de mãe, como na Índia, onde a adoração de Durga-Kali é transferida para a terra, saudada como bande mataram (“salve, mãe”), ou na Rússia, onde a terra santa é inseparável da Mãe de Deus no pensamento popular.
A persistência da imagem do campo fértil mesmo no romantismo, embora substituindo o prosaísmo da terra e do fruto pela ternura dos botões e das flores.