O céu da Divina Comédia, composto de círculos cabalísticos divididos por uma cruz com uma rosa no centro, apresenta pela primeira vez de modo público e quase categoricamente explicado o símbolo dos Rosa-Cruz, símbolo que aparece também, de modo um pouco menos claro, no Roman de la Rose.
Éliphas Lévi considera o Roman de la Rose e a Divina Comédia formas opostas — mais precisamente complementares — de uma mesma obra.
Para Éliphas Lévi, as duas obras constituem iniciação à independência do espírito, sátira das instituições contemporâneas e fórmula alegórica dos grandes segredos da Sociedade dos Rosa-Cruz.
A denominação “Rosa-Cruz” ainda não existia na época, e a organização não foi nunca, salvo em ramos tardios e mais ou menos desviados, uma “sociedade” constituída com todas as formas exteriores que a palavra implica.
A independência intelectual não era na Idade Média tão excepcional quanto os modernos imaginam, e os próprios monges exerciam crítica muito livre, cujas manifestações aparecem até nas esculturas das catedrais.
Esse aspecto crítico não tem nada de propriamente esotérico, e há nessas obras algo muito mais profundo.