O menino declara ter visto e conhecido pessoalmente o pai de Indra, Kashyapa, o Velho Homem-Tartaruga, seu avô Mariichi, Raio de Luz Celestial, o próprio Brahma e Vishnu, o Ser Supremo, revelando uma antiguidade que transcende a compreensão do deus.
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Kashyapa é identificado como senhor e progenitor de todas as criaturas da terra.
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Mariichi é descrito como filho de Brahma, cuja única riqueza era sua santidade e devoção.
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Brahma é apresentado como emanado do lótus no umbigo de Vishnu.
O menino descreve ter testemunhado incontáveis dissoluções do universo, nas quais cada átomo se dissolve nas águas primordiais da eternidade, e enumera a incomensurável multidão de universos, Brahmas, Vishnus, Shivas e Indras que existem simultânea e sucessivamente.
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Ao final de cada ciclo, tudo retorna ao oceano primordial, coberto de trevas absolutas e desprovido de qualquer ser animado.
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Nenhum ser é capaz de contar os universos passados e futuros, os Indras simultâneos ou os que se sucedem em qualquer linha de existência.
O menino apresenta as durações cósmicas do reinado de Indra, dos dias de Brahma e da existência de cada Brahma, demonstrando a efemeridade de todas essas magnitudes diante da infinidade dos universos que brotam e se dissolvem como bolhas do corpo de Vishnu.
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A vida e o reinado de um Indra duram setenta e um eons.
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Vinte e oito Indras correspondem a um Dia e uma Noite de Brahma.
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A existência de um Brahma equivale a apenas cento e oito anos de Brahma.
Durante o discurso do menino, uma procissão de formigas atravessa o salão em coluna de quatro jardas de largura, e o menino, ao notá-las, ri com uma gargalhada surpreendente antes de mergulhar em silêncio profundo e pensativo.
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As formigas desfilam em arranjo militar pelo chão do salão.
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O menino observa as formigas, pausa, e ri de modo espantoso antes de se recolher ao silêncio.
Indra, com a garganta seca e a voz entrecortada, interroga o menino sobre a razão do riso e sobre sua verdadeira identidade, reconhecendo nele um ser de virtudes incomparáveis envolto em aparência enganosa.
O menino recusa revelar o segredo do riso de imediato, descrevendo-o como uma sabedoria que destrói a vaidade mundana, ilumina os que buscam o conhecimento e é raramente revelada mesmo aos santos, mas que destrói os mundanos enganados pelo desejo e pelo orgulho.
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O segredo é comparado a um machado que corta pela raiz a árvore da vaidade mundana.
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O segredo é descrito como a luz que guia os que tateiam na ignorância e o ar vital dos ascetas que transcendem a existência mortal.
Diante da nova humildade de Indra, que implora ser instruído, o menino revela que cada formiga da procissão foi um Indra em existência anterior, elevada por atos piedosos ao reino dos deuses e reduzida novamente, por muitos renascimentos, à condição de formiga.
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A piedade e as boas ações elevam os seres aos reinos celestiais de Brahma, Shiva e Vishnu.
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Os atos malignos os afundam em mundos de dor, fazendo-os reencarnar como pássaros, vermes, porcos, animais selvagens, árvores ou insetos.
O menino conclui o ensinamento afirmando que a vida no ciclo dos incontáveis renascimentos é como uma visão em sonho, que a morte administra a lei do tempo e que os sábios não se apegam nem ao bem nem ao mal, pois ambos são tão passageiros quanto bolhas.
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Deuses, árvores mudas e pedras são igualmente aparições nessa fantasia cíclica.
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Apenas a sabedoria serve de balsa para a beatitude através do oceano do inferno.
Enquanto Indra ainda absorve o ensinamento, um eremita de aparência singular entra no salão com o cabelo emaranhado, uma pele de veado preta nos rins, uma marca branca na testa, um parasol de grama sobre a cabeça e um peculiar tufo circular de pelos no peito, parcialmente calvo no centro.
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O eremita senta-se diretamente no chão entre Indra e o menino, imóvel como uma rocha.
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Indra oferece ao recém-chegado leite azedo com mel e outras refrescâncias, curvando-se com reverência.
O menino interroga o eremita sobre sua procedência, seu nome, a razão de sua visita, o significado do parasol de grama e o sentido do tufo circular de pelos no peito, que é denso na periferia mas quase calvo no centro.
O eremita, que se chama Hairy, revela ser um brâmane de vida breve que renunciou à casa, ao casamento e ao sustento próprio por saber que existirá pouco, vivendo de esmolas e usando o parasol de grama como único abrigo contra o sol e a chuva.
O eremita explica que o tufo de pelos em seu peito diminui com a queda de cada Indra, razão pela qual o centro já está calvo, e que quando a segunda metade do período do Brahma atual terminar, ele próprio morrerá, tornando inúteis esposa, filho e casa.
O eremita declara devotar-se exclusivamente à meditação nos pés-de-lótus de Vishnu, ensinamento que recebeu de Shiva, e afirma não desejar nenhuma das formas de redenção, nem sequer a absorção na essência inefável do deus supremo.
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Shiva é chamado de o pacificador, o mais alto guia espiritual.
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As formas de redenção mencionadas incluem habitar as mansões do deus supremo, assemelhar-se a ele em corpo e vestes, tornar-se parte de sua substância ou ser absorvido em sua essência.
O eremita, que era na verdade o próprio Shiva, desaparece abruptamente ao concluir seu discurso e retorna à sua morada supramundana, e simultaneamente o menino brâmane, que era Vishnu, também desaparece, deixando Indra só e atônito.
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Os dois visitantes se revelam retrospectivamente como manifestações de Shiva e Vishnu.
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Indra fica sozinho, perplexo, como se tivesse vivido um sonho.
Indra pondera os acontecimentos, perde todo o desejo de magnificar seu esplendor celestial ou prosseguir com a construção do palácio, e envia Vishvakarman embora com presentes e joias, em uma celebração solene.
Indra, transformado pela sabedoria adquirida, deseja agora apenas a redenção, confia o peso e o fausto de seu cargo ao filho e prepara-se para retirar-se à vida eremítica no deserto, o que mergulha sua rainha Shachi em profundo desespero.
Shachi recorre ao sacerdote e conselheiro de Indra, Brihaspati, o Senhor da Sabedoria Mágica, pedindo-lhe que desvie o marido de seu propósito austero, e Brihaspati, com habilidade de mago, conduz a deusa de volta à presença do esposo.
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Brihaspati é identificado como aquele que, por seus sortilégios, ajudou os poderes celestiais a arrancar o governo do universo das mãos dos titãs.
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Brihaspati escuta pensativamente a queixa da deusa e assente com saber.
Brihaspati discursa sabiamente sobre as virtudes tanto da vida espiritual quanto da vida secular, atribuindo a cada uma o que lhe é devido, e persuade Indra a moderar sua resolução extrema, restaurando a alegria radiante de Shachi.
Brihaspati compõe um segundo tratado, desta vez sobre a política e as estratégias do amor conjugal, demonstrando a arte de cortejar continuamente e de prender o ser amado com laços duradouros, estabelecendo em bases sólidas a vida conjugal do casal reunido.
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Brihaspati já havia composto anteriormente um tratado sobre o governo, para ensinar Indra a reger o mundo.
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O novo tratado estabelece em bases sólidas a vida conjugal do casal reunido.
A narrativa conclui com a história de como Indra foi humilhado em seu orgulho ilimitado, curado de uma ambição excessiva e conduzido, pela sabedoria espiritual e secular combinadas, ao conhecimento de seu papel adequado no jogo incessante da vida.
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A humilhação de Indra é o mecanismo central da transformação narrada.
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A sabedoria espiritual e a secular são apresentadas como complementares, não excludentes.