Os textos tradicionais raramente mencionam que os eventos mitológicos que descrevem se repetem a cada kalpa, pois, do ponto de vista do indivíduo de vida breve, tal circunstância prodigiosa pode ser temporariamente desconsiderada, mas não pode ser totalmente descartada, já que o indivíduo permanece envolvido no ciclo das transmigações.
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Um dos relatos purânicos sobre os feitos de Vishnu em sua encarnação como Javali contém uma referência casual à recorrência cíclica dos grandes momentos do mito.
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O Javali, carregando a deusa Terra que está resgatando das profundezas do mar, observa casualmente: “Cada vez que te carrego assim…”
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Para a mente ocidental, que acredita em eventos históricos únicos e decisivos, esse comentário casual do deus eterno tem um efeito suavemente aniquilador sobre concepções de valor intrínsecas à estimativa ocidental do homem, sua vida, seu destino e sua tarefa.
Do ponto de vista humano, a vida de um Brahma parece muito longa, mas é limitada a cem anos de Brahma, ao fim dos quais ocorre uma grande dissolução universal que faz desaparecer não apenas as esferas visíveis dos três mundos, mas todas as esferas do ser, resolvendo tudo na Substância divina primordial.
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Após a dissolução universal, um estado de total reabsorção prevalece por mais um século de Brahma.
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Findo esse período, o ciclo inteiro de 311.040.000.000.000 anos humanos recomeça do início.