Sob a palavra de Zarathoustra, o pensamento religioso deu um salto tão avançado que aqueles que viram nele apenas um “reformador” não mediram a extrema vigor com que ele estigmatizou as práticas do clero mazdeu tradicional.
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A violência da condenação dos sacrifícios de animais, fontes lucrativas do clero indo-iraniano, conforme os Yasnas 32.12/14, 44.20 e 48.10, basta para provar que Zarathoustra quis aplicar ferro em brasa no coração mesmo do ritual mais venerado: o sacrifício propiciatório.
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Uma obra enciclopédica sobre as religiões observa que a pregação de Zoroastro é visivelmente dirigida contra uma religião estabelecida, cujos fiéis são, a seus olhos, “homens da mentira e da hipocrisia”, e que a reforma proposta é uma verdadeira revolução, pois rompe com todas as crenças de ritual mágico para afirmar que a verdade da religião reside em sua significação moral, não nas práticas exteriores de valor imaginário.
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O termo “reforma” se impôs porque o mazdismo tradicional continuou a existir e a dominar por seus ritos; para todo o resto, a pregação de Zarathoustra porta todos os caracteres de uma revolução sistemática.
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Essa revolução se resume em: instauração de um monoteísmo absoluto acima dos dois Espíritos confrontados; escatologia prodigiosamente desenvolvida em torno da grande batalha cósmica do Bem e do Mal; eliminação de todo ritual e de todo sacrifício que não seja o interiorizado da santificação do pensamento, das palavras e dos atos; e formulação do respeito pela vida animal, na figura dos bovinos, como protótipo exemplar.