O reconhecimento de Zarathoustra como precursor da filosofia enriqueceria consideravelmente o horizonte da dialética moderna marcada pelo positivismo e pelo materialismo, pois é na lúcida e clarividente revelação de um estado espiritual, e não na embriaguez xamânica indo-iraniana, que se deve ver o duplo movimento homem-Deus, Deus-homem expresso nas Gathas.
Os diálogos místicos de Zarathoustra devem ser interpretados com a piedade necessária e com o exercício do livre-arbítrio a que ele dá largo espaço.
Zarathoustra interroga sua inteligência purificada de toda aporia moral e de pontos de vista particulares, entregando-se ao Senhor Sabedoria nos três planos da tríade: em pensamento puro pela oração e pela contemplação mística, em palavra pura pela sã especulação intelectual, e em ação pura que o engaja no mundo como artesão do Bem.
Os Santos Imortais, Amesha Spentas, apresentam-se como características filosóficas da mais alta expressão: sabedoria, boa ideia, ordem, poder, devoção, saúde e imortalidade, aproximando-se das Ideias do mundo inteligível de Platão.
O Profeta não projetou no céu virtudes utópicas, pois somente a Sabedoria divina detém essas qualidades no estado puro do Absoluto, nenhuma delas existindo na natureza em estado puro e completo.