SANTIDADE DE DEUS

ZAEHNER, R. C.. The Dawn and Twilight of Zoroastrianism. New York: G. P. PUTNAM'S SONS, 1961.

Na Tasna 43, Zoroastro retoma o refrão “Então percebi que tu eras santo quando…”, e vale a pena examinar em que ele considera que consistem essa santidade e essa generosidade. Primeiro, ele percebe a santidade de Deus quando recebe a Mente Boa de suas mãos, que detêm os destinos tanto dos homens bons quanto dos maus; em segundo lugar, quando o “vê” “no nascimento da existência” distribuindo suas sorte de bem-estar e infortúnio aos bons e aos maus e quando o vê proferir julgamento no fim dos tempos; em terceiro lugar, quando, a pedido urgente da Boa Mente, faz sua confissão de fé e resolve ser um “verdadeiro inimigo do seguidor da Mentira e um poderoso apoio ao seguidor da Verdade”; em quarto lugar, quando, mais uma vez impulsionado pela Mente Boa, ele jura venerar o fogo como símbolo da Verdade; em quinto lugar, quando ouve pela primeira vez as palavras de Deus, deixa de lado toda a confiança nos homens e resolve fazer tudo o que Deus lhe disser ser o melhor; em sexto lugar, quando vislumbra a vida eterna no Reino de Deus, que só a Ele cabe conceder ou negar; em sétimo lugar, quando seu “pensamento silencioso” lhe ensina a não tentar ganhar o favor dos seguidores da Mentira que fingem que os homens maus são bons.

Zoroastro, então, reconhece a santidade de Deus, em primeiro lugar, no próprio ato da revelação, que lhe é transmitida por meio da iluminação que recebe da Mente Boa; em segundo lugar, no conteúdo dessa revelação. E o conteúdo é este: que Deus é justo e que julgará os homens de acordo com suas boas e más ações; que o mal, que é a Mentira, existe e deve ser combatido; que a Verdade existe e deve ser reverenciada no fogo sagrado; que Deus deve ser obedecido e que não se deve depositar confiança nos homens; que Deus recompensará a quem quiser com a vida eterna; e, por fim, que é perverso disfarçar o mal com o manto do bem. Em suma, Deus é um juiz justo.