O capítulo 17, intitulado Cheia Outonal, consiste em uma belíssima contemplação do mar que desdobra a relação entre o grande e o pequeno sob a perspectiva do Tao.
O Espírito do Rio Amarelo navega entumecido de soberba em direção ao Leste com as águas transbordantes do degelo das imensas estepes do Oeste, tão largo que não se distingue de uma margem à outra um cavalo de um boi
Ao chegar ao Mar do Leste e contemplar sua extensão ilimitada, o Espírito do Rio percebe sua própria miséria e ignorância e torna-se discípulo humilde do Mar do Leste
O Mar do Leste declara que, apesar de nunca ter experimentado mudança em seu caudal, sente-se, em comparação com o Universo inteiro, não mais que um seixo ou uma arvorezinha na imensa montanha, ou um grão em um grande celeiro
A pergunta do Espírito do Rio: “Posso dizer que o Universo é grande e pequena a ponta do pelo outonal do gado?”
A resposta do Mar do Leste: “Não — não há dimensões definidas; cada coisa tem a dimensão que lhe corresponde”
“Se desde o pequeno se olha o grande, não é possível abarcá-lo em sua totalidade; mas se desde o grande se olha o pequeno, não se pode vê-lo claramente”
“Se se olham as coisas desde o ponto de vista do Tao, não existe diferença entre o vil e o precioso; se se as olha desde o ponto de vista das próprias coisas, cada coisa se tem a si por preciosa e às demais por vis”