Os Homens Verdadeiros da antiguidade se deixavam aconselhar mesmo por minorias, não buscavam glória alguma — nem militar nem política —, não se entristeciam com insucessos nem se ensoberbeciam com êxitos, não sentiam vertigem em altura alguma, a água não os molhava e o fogo não os queimava, pois haviam se elevado até as regiões sublimes do Princípio.
Nenhum sonho os perturbava no sono, nenhuma tristeza na vigília; o requinte nos alimentos lhes era desconhecido
Sua respiração calma e profunda penetrava o organismo até os calcanhares — enquanto o vulgo respira apenas pela garganta, como provam os espasmos da glote dos que disputam; quanto mais apaixonado o homem, mais superficial sua respiração
Ignoravam o amor à vida e o horror à morte — sua entrada em cena não lhes causava alegria, nem sua saída lhes causava horror; vinham calmos e partiam calmos, suavemente, sem abalo, como em planeio
Lembrando apenas de seu último começo — o nascimento —, não se preocupavam com seu próximo fim — a morte; amavam a vida enquanto durava e a esqueciam ao partir para outra vida, na morte
Assim seus sentimentos humanos não contrariavam o Princípio neles — o humano neles não governava o celestial
O coração era firme, a atitude recolhida, a aparência simples, a conduta temperada, os sentimentos regrados; faziam em toda ocasião o que havia para fazer sem confiar a ninguém seus motivos interiores
Faziam a guerra sem odiar e o bem sem amar
Não é sábio quem gosta de se comunicar, quem faz amigos, quem calcula tempos e circunstâncias, quem não é indiferente ao êxito e ao insucesso, quem expõe a própria pessoa pela glória ou pelo favor
Hou-pou-hie, Ou-koang, Pai-i, Chou-ts'i, Ki-tzeu, Su-u, Ki-t'ouo e Chenn-t'ou-ti serviram a todos e fizeram o bem a todos sem que nenhuma emoção do coração viciasse seus atos de beneficência