Embora Zhuangzi compartilhe da tendência geral de confucionistas e taoístas de conceber o Céu como potência impessoal, sua atitude contém um forte elemento de reverência numinosa — um senso da pequenez do homem diante de um poder incompreensível que ele gosta de personificar como “o criador das coisas.”
Não há um Criador na religião ou filosofia chinesa — o Céu continuamente “gera” as coisas, à analogia de um pai e não de um artesão, sem criar do nada; Zhuangzi pensa em seu criador como moldando e remoldando em um processo interminável de transformação.
Quando “o criador das coisas” aparece na literatura chinesa posterior, é como um conceito poético emprestado de Zhuangzi — dentro do livro, pertence exclusivamente a ele.
Zhuangzi usa também o termo Ti — aqui traduzido como “Deus” —, um soberano supremo da cultura da dinastia Shang, substituído pelo Céu na dinastia Zhou.
Zhuangzi não crê em um Deus pessoal em sentido simples, mas concebe o Céu e o Caminho como transcendendo a distinção entre pessoal e impessoal — distinção que lhe seria tão irreal quanto outras dicotomias.
A reverência como diante de uma pessoa é a atitude apropriada diante das forças insondáveis mais sábias que nós, por todo o cosmos e nas profundezas do próprio coração — forças que Zhuangzi chama de “demoníacas.”
O homem do tipo mais elevado é chamado de “homem demoníaco” — aquele elevado acima de si mesmo pela infusão do demoníaco vindo de fora, quando o coração se esvazia de todos os acúmulos de conhecimento passado.