A introdução ao Yi King é uma introdução à leitura, reagindo contra a tendência de dissociar a combinatória figural das camadas de texto que lhe foram sucessivamente acrescentadas como comentários — pois esses comentários foram menos sobrepostos à combinatória do que enxertados nela.
O padre Joachim Bouvet, um dos primeiros a apresentar o Yi King ao público europeu, escreveu a Leibniz que a combinatória das figuras é obra de um gênio extraordinário e constitui um método geral das ciências muito perfeito, mas que teria sido corrompida pelos comentários.
Bouvet escreveu: como todos os comentários feitos há quase três mil anos sobre esse sistema por grandes homens, dos quais Confúcio foi um dos principais, parecem mais aptos a embaralhar e obscurecer o verdadeiro sentido do que a desenvolver seu mistério, deixei de lado todos esses comentários e, apegando-me unicamente à figura, a considerei sob tantos sentidos diferentes… que não duvido de ter finalmente descoberto todo o mistério, ou ao menos uma rota muito segura e fácil para chegar lá.
Na metafísica numerária que descobre pelo exame das figuras, Bouvet reencontra sucessivamente o sistema de Pitágoras e de Platão, os números do Sábado e da antiga Cabala, e até o sistema de numeração binário que Leibniz estava desenvolvendo.
Hegel, por sua vez, considerou que essa máquina de traços, uma vez montada, não chega a nenhuma ordem concreta, por passar de modo demasiado abrupto da abstração à matéria — e que gira em vazio.
A escolha proposta é inversa: ler o Yi King a partir do que a tradição chinesa fez dele, mantendo associadas a transformação das figuras e o sentido que os glosadores delas incessantemente extraíram.