O que o historiador registra sobre a carreira de Lao zi reduz-se a três dados que teriam grande interesse se pudessem ser considerados autênticos: Lao Dan foi arquivista na corte real dos Zhou; recebeu uma visita de Confúcio; e partiu para o oeste, ditando seu livro no caminho, antes de desaparecer sem deixar rastros.
O encontro de Lao zi e Confúcio é muito célebre e permitiria situar aproximadamente a época em que viveu Lao zi.
Segundo a biografia, quando Confúcio se dirigiu aos Zhou para informar-se sobre os ritos com Lao zi, este respondeu: “Aqueles de quem falas, mesmo seus ossos já viraram pó, só restam suas palavras. Além disso, quando o homem honesto vive numa época favorável, apressa-se em ir à corte de carro; quando vive numa época desfavorável, erra ao acaso. Ouvi dizer que o bom comerciante esconde suas riquezas e parece desprovido; se tem uma plenitude de virtude interior, o homem superior tem a aparência exterior de um tolo. Elimina teu humor arrogante, e todos esses desejos, esse ar presunçoso e esse zelo transbordante: tudo isso não é de nenhum proveito para tua pessoa. É tudo o que posso te dizer.”
Confúcio retirou-se e disse a seus discípulos: “Do pássaro, sei que pode voar; do peixe, sei que pode nadar; dos quadrúpedes, sei que podem correr. As bestas que correm podem ser pegas na rede; as que nadam podem ser pegas na nassa; as que voam podem ser alcançadas pela flecha; mas o dragão, não posso conhecê-lo: ele se eleva ao céu sobre a nuvem e sobre o vento. Hoje vi Lao zi, ele é como o dragão!”
Em outro capítulo do Shiji, os dizeres de Lao zi ao despedir-se de Confúcio são distintos: “Ouvi dizer que o homem rico e poderoso despede as pessoas dando-lhes riquezas, que o homem bom despede as pessoas dando-lhes palavras. Não saberia ser rico e poderoso, mas tomo furtivamente o título de homem bom; vou, pois, despedi-lo com palavras: aquele que é inteligente e profundo observador está perto de morrer, pois critica os homens com justeza; aquele cujo espírito é muito sábio e grandemente penetrante coloca em perigo sua pessoa, pois desvela os defeitos dos homens. Aquele que é filho não pode mais se possuir; aquele que é súdito não pode mais se possuir.”
Como nota Édouard Chavannes, tradutor das Memórias Históricas, essa é uma condenação da inteligência, da piedade filial e do lealdade — princípios essenciais da doutrina de Confúcio.
A cena era tão popular na época dos Han que aparece representada em várias pedras funerárias esculpidas de Shandong, datando do século II a.C.; os textos, porém, não concordam nem sobre o lugar, nem sobre a data, nem sobre o número dos encontros, nem sobre os dizeres de Lao zi — o que torna difícil ter por certo que os dois grandes filósofos se tenham realmente encontrado.