Um personagem bastante extraordinário para a época, e cuja profundidade de pensamento num período ainda tão primitivo tem algo de comovente, é Hia Ko.
Como Yu Hiong, Yen-tseu e Kouan Tchong, Hia Ko seria um desses tch'en (ministros) que não apenas modelaram o rosto político da China, mas também seu espírito — antes que surgissem as escolas, as tendências e as lutas dos jou (letrados), que romperam a harmonia e a medida do primeiro pensamento chinês, naturista e social.
Segundo a tradição dos anais chineses, viveu na época do rei T'ang dos Yin, no século XVIII antes de Cristo, exercendo junto a ele a função de ministro (tch'en).
Essa data sempre foi objeto de discussão: considerava-se, com alguma razão, que reflexões tão profundas como as de Hia Ko — também chamado Ki de Hia — não poderiam ter sido formuladas em uma Antiguidade tão recuada.
Zenker atribui suas pretensas palavras ao século III antes de Cristo, creditando-as a Houei Che, o sofista, ou a alguns de seus predecessores ou discípulos.
Considerando o que Liu Pou-wei escreve em seu comentário sobre o Tch'ouen-ts'ieou (As Primaveras e os Outonos) a respeito da corrente naturista já existente no início de Tcheou (século XI), não se pode deixar de ser impressionado pela permanência de um espírito racionalista entre os antigos tch'en.