Teremos, a várias reprises no decorrer de nossa exposição, que evocar a questão da relação entre o que se chamou o “taoismo filosófico” e o “taoismo religioso”, esta distinção cobrindo mais ou menos aquela que foi feita entre o taoismo contemplativo e o taoismo “operatório”, isto é, “interessado”, “orientado” (que traduziremos livremente por “operatório”), que trata de técnicas de longevidade
Muita tinta foi derramada a este propósito, mas, em geral, deve-se notar, por pessoas que não haviam estudado os textos do “taoismo religioso”
Teremos, a várias reprises e de forma natural, a ocasião de constatar que esta separação não tem nada de pertinente
Trata-se de um falso problema nascido de uma aparente diferença, comum a todas as religiões e a todas as místicas, entre a ascese — os procedimentos, o treinamento — de um lado, e, de outro, ou o desfecho desta ascese, ou as especulações que, estas, podem acompanhar ou coroar esta ascese
Que haja uma diferença entre aquele que sobe uma montanha e aquele que está no cume, entre o guia de montanha e seu aluno, é evidente, assim como é evidente que às vezes o aprendiz fica a meio caminho ou desiste do caminho
Mas que se tenha crido em duas correntes distintas nos parece uma posição que provém do fato de que no Ocidente não se é muito familiar com as técnicas que levam à experiência mística e que, em consequência, os ocidentais concebem mal a relação entre o que lhes parece procedimentos prosaicos e o objetivo último destes
Relação, mais uma vez, que certos adeptos esquecem eles mesmos às vezes, mas que os mestres taoistas são numerosos a recordar