CAMINHO E PODER

The way and its power: a study of the Tao Tê Ching and its place in Chinese thought. Fifteenth printing ed. New York: Grove Press INC., 1977

A conquista Chou sobre os Shang provavelmente ocorreu no início do século X a.C., mas a narrativa apresentada é um tema ritual de substituição do rei-vítima, não pertencendo a um período ou caso específico.

A passagem do “Livro da História” representa a fase pré-moral da sociedade, onde conceitos como virtude e retidão tinham significados distintos dos atuais.

O texto contrasta a passagem do “Livro da História” com uma passagem de Mêncio sobre a Montanha do Touro, que perdeu suas belas árvores devido ao corte incessante.

O objetivo da introdução é mostrar o confronto entre duas atitudes opostas perante a vida, culminando na vitória gradual da segunda sobre a primeira.

A partir de cerca de 400 a.C., uma nova atitude em relação ao sacrifício e à adivinhação começa a surgir, argumentando que o objetivo do sacrifício é provar prosperidade aos ancestrais.

Han Fei Tzu, em sua litania sobre as causas da decadência de um estado, afirma que a crença em presságios, espíritos e adivinhações leva à ruína.

O “shih” (corpse), ou médium, era uma figura regular no ritual chinês, representando o ancestral a quem o sacrifício era oferecido ou o morto no funeral.

Outra palavra que se aproxima do significado de “alma” é “ch’i” (sopro vital), originalmente o vapor que se levanta de qualquer coisa, como o vapor do cozimento de grãos.

Ao estudar a história do pensamento hebraico, seria necessário investigar o significado real de palavras como “alma” e “espírito”, e o mesmo deve ser feito em relação ao chinês.

A palavra “tê” (poder, virtude) está etimologicamente ligada aos conceitos de “erguer, levantar” e “olhar reto, fitar”.

A palavra “i” (moralidade) significa o que é certo, apropriado, adequado, o que se espera, o que está “em ordem” sob as circunstâncias.

No período centrado em torno de 300 a.C., questionou-se se a conduta moral “i” é apenas o comportamento esperado de alguém devido à sua posição e circunstâncias.

O homem na terra, em vez de uma pálida sombra dos Ancestrais, possui dentro de si todos os atributos que antes tornavam o culto dos Reis Antigos o fim supremo.

Os homens do passado não dariam um único fio de cabelo de seus corpos para ajudar o Estado.

A experiência tradicional sobre o comportamento de “shen” (divindades) sugeria que o primeiro requisito era a abstinência e o jejum.

Os seguidores de Hsü Hsing, que se vestiam com pano grosso e sandálias de cânhamo, apoiando-se no artesanato de tear, foram repreendidos por Mêncio com a máxima sobre os que trabalham com a mente e os que trabalham com o corpo.

A história de Ch’en Chung ilustra os escrúpulos extremos de um asceta que se recusava a viver de ganhos considerados ilegítimos.

A transferência da atenção dos mortos para os vivos também se deveu à dúvida sobre se os mortos estavam cientes do que acontecia na terra.

Há relatos sobre julgamentos de pessoas que acreditavam na inconsciência dos mortos ao lado de outros que ainda defendiam o velho ideal de resignação ao destino.

Os hedonistas, cuja doutrina era chamada “yang-sheng” (nutrir os vivos), argumentavam que o que mais nutre a vida é a felicidade, alcançada pela liberdade de satisfazer os desejos.

Os hedonistas são criticados com veemência por aqueles que argumentam que tal doutrina levaria à situação do mundo antes do surgimento dos grandes sábios e à promiscuidade generalizada.

Houve uma seita de Quietistas que pregava o afastamento da multidão e a doutrina do Quietismo em termos confusos e misteriosos.

O processo de Quietismo consistia em uma viagem de volta através das camadas sucessivas da consciência até alcançar a Consciência Pura.

A Escola de Ch’i, cuja doutrina chamava-se “Hsin shu” (A Arte da Mente), concebia uma “mente dentro da mente” que é o santuário do espírito.

O ramo do Confucianismo fundado por Mêncio foi profundamente influenciado pelo Taoísmo do país de Ch’i, focado na Arte da Mente e no cultivo do Sopro Vital.

No sistema de Quietismo da Escola de Ch’i, o conceito central é a “mente dentro da mente”, o santuário do espírito, e “Tao” é a realidade última e unificadora.

Para o Taoísta, debates sobre as pretensões rivais da vida e da morte ou sobre ancestrais versus vivos são sem sentido.

A atitude em relação à natureza no Taoísmo não é apenas de resignação, mas de aceitação lírica e quase extática.

O Taoísmo desenvolveu a ideia de que o orgulho convida à queda, e o machado cai primeiro sobre a árvore mais alta, usando os “imperfeitos” como símbolos da Matéria Primal.

O controle sobre o mundo exterior obtido pelo Quietista é resultado de uma identificação com seu ambiente natural através da transmutação espiritual.

Durante o século IV a.C., os chineses começaram a perceber que as palavras se movem em um mundo próprio, fracamente conectado ao mundo da realidade.

A construção do vocabulário chinês por extensão de significado de poucas raízes, sem empréstimos significativos de outras línguas, fez com que a mesma palavra significasse muitas coisas diferentes.

A ausência na língua chinesa de algo equivalente ao verbo “ser” e de marcações de número plural e tempo verbal causou dificuldades lógicas.

A controvérsia sobre “palavras e realidades” vagou para um novo terreno, tornando-se uma discussão sobre o ajuste de palavras (definição de crimes) a “formações” (punições apropriadas).

A China do período consistia em pequenos reinos em constante conflito, apesar de tratados e pactos renovados por reis desesperados.

No quarto e terceiro séculos, a velha visão augural-sacrificial perdeu completamente seu domínio entre as classes dominantes, que se dividiram em múltiplas doutrinas conflitantes.

Surgiu uma escola de Realistas que rejeitava princípios abstratos como moralidade e benevolência, alegando que os únicos princípios relevantes são inerentes à natureza da própria vida.

Hsün Tzŭ, escrevendo por ocasião da queda de Lu, inverteu a doutrina de Mêncio e afirmou que a natureza do homem é má.

Os Realistas desconfiavam das emoções de curto prazo, como a piedade por indivíduos, que pode causar crueldade para com a comunidade em geral.

O sábio governante dos Realistas não trata um reino de 10.000 carruagens como uma aldeia onde todos são parentes, pois o governo “de carrinho de mão” é inadequado para um grande Estado.

Kung-sun Lung, um lógico e pacifista mohista, tentou converter o rei Hui de Chao à supressão das armas com base no amor universal.

Na doutrina dos Realistas, o primeiro essencial é que o Estado mantenha suas fronteiras intactas, e o segundo, que o povo tenha comida e roupa.

O movimento de “codificação” na China estava ligado à tendência de unificação dos costumes e é refletido na tentativa dos ritualistas confucianos de construir um código de conduta uniforme para as classes altas.

Os expositores do Realismo, apesar de rejeitarem princípios abstratos, buscaram fundamentação no misticismo Taoísta, pois suas crenças básicas fatuais não constituem toda a verdade sobre o homem.

O governante do pequeno estado de Ch’in, que aplicou a doutrina realista de Shang Tzŭ, transformou seu reino em um foco de poder militar aterrorizante.

O rei de Ch’in tornou-se o Primeiro Imperador de toda a China em 221 a.C., mas sua dinastia entrou em colapso cerca de dez anos depois, em 206 a.C.

O autor do “Tao Te Ching” usa slogans realistas como “nada privado” (wu-ssŭ) e condena o governo pelos “moralmente superiores” (hsien) e a consciência individual (i).

O autor do “Tao Te Ching” combate a ideia realista de “bem público” e a pretensão de anexar um nome imutável a cada fato.

A controvérsia sobre a palavra “desejo” (yü), que não significa apenas desejo sexual, torna-se proeminente no “Tao Te Ching”.

Os Taoístas não imaginavam uma sociedade inteira de ascetas; o “Tao Te Ching” descreve como o Sábio (shêng), através da prática do Tao, adquire o poder de governar sem ser conhecido.

Uma diferença importante entre o “Tao Te Ching” e outras obras taoístas é sua condenação específica da guerra, dedicando três capítulos ao tema.

O método literário do “Tao Te Ching” é essencialmente poético, intoxicando o leitor para fazê-lo atravessar precipícios lógicos com a temeridade de um bêbado.

O nome do autor do “Tao Te Ching” é desconhecido, e por dois mil anos ele foi conectado ao nome de Lao Tan ou “Mestre Lao” (Lao Tzŭ).