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VERSÃO FRANCESA

JANAKA: Como se obtém o conhecimento? Como se produzirá a libertação? E a ausência de toda paixão, como se obtém? Mestre, dize-mo.

ASHTAVAKRA: Queres libertar-te, meu filho? Renuncia aos objetos, isto é um veneno. Paciência, retidão e compaixão, alegria, verdade, eis o néctar que convém provar.

Terra, água, fogo, ar, éter, nada és disso. Destes és a testemunha, a forma de teu ser é consciência; sabe-o para tua libertação.

Põe de lado o teu corpo para permanecer na consciência. Encontrarás de pronto equilíbrio e serenidade, serás liberto de todo laço.

Não és de nenhuma casta, nem de nenhuma classe social; não és um objeto para os sentidos. Não tens apego nem forma. Testemunha de toda coisa, a tua natureza é tranquilidade.

O justo e o injusto, ó rei, tal como o prazer e o sofrimento, são conceitos. Não és nem agente nem sujeito. Liberto, em verdade tu o és sempre.

Único observador de toda coisa, liberto, tu o és realmente sempre. O que te encadeia é o veres a testemunha como um outro tu mesmo.

«Eu sou o agente», dizes, porque te imaginas ser alguém, e és mordido por esta grande serpente negra. «Eu não sou o agente», eis o que faz respirar. Bebe este néctar, a tua natureza é tranquilidade.

«Não sou senão pura consciência», esta evidência é um fogo que pode consumir o abismo do não-saber. Desvanecida toda dor, não sejas senão tranquilidade.

Aquilo em que surge o universo é uma serpente, é uma corda?, diz a imaginação; é a consciência, alegria de todas as alegrias. Não sejas senão tranquilidade.

Aquele que se crê liberto o é com efeito, e encadeado, aquele que pensa sê-lo. É verdadeiro o provérbio que corre cá embaixo: todo pensamento é uma via.

O ser é testemunha, presença universal, plenitude. Somente ele é liberto, e somente ele é consciência, somente ele está além de toda atividade. Sem desejos, sem apegos, ele é toda serenidade. É por erro que se o concebe submetido aos movimentos das coisas.

Concebe o teu ser como imutável, como consciência subtraída à dualidade. Renuncia à ilusão de te creres um reflexo, renuncia a um estado que seria interior e externo.

Imaginar-se ser o corpo é uma cadeia; há muito tempo, meu filho, tu és dela o escravo. «Eu sou toda consciência», este conhecimento é uma arma que pode quebrar a cadeia: a tua natureza é tranquilidade.

És sem apego, além da ação, és toda luz, nada te pode afetar. Eis o que te encadeia: obstinas-te em buscar a unidade.

Todo este universo que vês está impregnado de ti, em ti ele se desdobra realmente. Tua verdadeira natureza é consciência e limpidez; não soçobres na fraqueza dos pensamentos.

És sem desejos e sem forma, nada pesa sobre ti, tu és serenidade. A tua clarividência é sem limites, pois já não és perturbado pelo pensamento. Que a consciência seja a tua única morada.

Rica de formas é a mentira, vazio de formas é o imutável, sabe-o. E ver isso põe um termo a toda forma de gênese.

Do mesmo modo que se está a um só tempo dentro e fora da imagem que o espelho reflete, do mesmo modo o Senhor supremo está a um tempo no corpo e ao redor.

Do mesmo modo que o espaço é a um tempo um e difundido por toda parte, ao redor e dentro do jarro, do mesmo modo a Consciência, sem idade e sem limites, está na imensidão de tudo o que existe.