JANAKA: Meu ser é oceano sem fim; nele os sedimentos do mundo vão e vêm, ao sabor do vento de seus próprios limites, mas o meu ser não lhes sofre o peso.
Meu ser é oceano sem fim; nele as ondas da vida, por sua própria natureza, rebentam ou se reabsorvem, mas para o meu ser não há preamar nem refluxo.
Meu ser é oceano sem fim; nele existe uma ficção a que se chama mundo, e é com uma serenidade total, subtraído a toda forma, que o meu ser nele habita.
A consciência não se acha nas formas, tão pouco quanto existe forma para a consciência, que é sem fim, a quem nada afeta. Por isso é sem apegos, sem desejos e tranquilo que o meu ser está presente ao mundo.
Meu ser não é senão consciência, o mundo é um fantasma para os meus sentidos. Por conseguinte, para o meu ser, como e onde existiria a ideia de renunciar e de ter?