1.4 Sacrifício

Le brâhmanisme (1905)

1. O sacrifício concentra a vida religiosa indiana ao constituir o meio comum de honrar os deuses, solicitar proteção, perdão e benefícios materiais ou alimentar os mortos, conservando, apesar da diversidade de finalidades, uma estrutura ritual baseada no acendimento do fogo sagrado, em libações e oferendas consumidas e transmitidas às divindades pelas chamas e pela fumaça, acompanhadas por hinos rigorosamente determinados pela liturgia.

2. A preparação do sacrifício exige escolher, delimitar, proteger e purificar o terreno, construir um altar e reunir combustíveis, libações e oferendas, produzindo o fogo pela fricção de duas peças de madeira e alimentando-o sobretudo com substâncias vegetais, enquanto a ocorrência de sacrifícios humanos permanece incerta e a interpretação das referências a vítimas animais admite a hipótese de uma transformação tardia de imagens poéticas em práticas efetivas.

3. A investigação da origem do sacrifício, concebido como potência capaz de comunicar homens e deuses, produzir o universo e conferir imortalidade, conduz à hipótese de um fundamento concreto e universalmente benéfico, encontrado na conquista do fogo como fonte de calor e luz e como recurso decisivo para o desenvolvimento da vida humana.

4. O sacrifício pode ter surgido da sacralização do acendimento e da conservação do fogo, convertendo os materiais empregados para favorecer sua combustão em oferendas destinadas a alimentá-lo e alcançar outras divindades, enquanto a projeção das práticas humanas sobre os deuses permite compreender os sacrifícios celestes como reprodução divina desses primeiros atos rituais.