Consciência e Absoluto

NISARGADATTA MAHARAJ, Sri. Consciousness and the Absolute: The Final Talks of Sri Nisargadatta Maharaj. Edited by Jean Dunn. Durham, NC: Acorn Press, 1994.

Os ensinamentos de Nisargadatta Maharaj foram publicados em vários livros, mantendo o formato original de perguntas e respostas em que foram transmitidos. A tradução de Maurice Frydman das palestras de Maharaj, “Eu Sou Aquilo”, e outras coletâneas que se seguiram, incluindo a minha própria, têm servido como guias para a filosofia de Maharaj. Muitas pessoas do Ocidente passaram a seguir seus preceitos por meio da leitura dessas coleções. Agora, mais um elo de ouro nessa cadeia de guias é apresentado aqui como “Consciência e o Absoluto”.

Neste livro, você encontrará os últimos ensinamentos de Sri Nisargadatta Maharaj, os diálogos finais que ele teve com as pessoas que vieram de todas as partes do mundo para ouvir suas palavras. Essas conversas, ocorridas nos últimos dias de sua vida, foram o ápice dos ensinamentos mais raros que ele tinha a nos oferecer; foram o ponto mais alto de sua sabedoria.

O cenário dessas conversas era o pequeno quarto no andar de cima que ele havia construído cerca de cinquenta anos antes, para sua própria meditação. Tantos buscadores haviam procurado-o em busca de orientação espiritual ao longo de quarenta anos! Agora, suas conversas eram curtas e concisas, durante os dias repletos de dor da doença (câncer). Ficava perfeitamente claro que, embora o corpo estivesse em terrível sofrimento, ele sabia que não era aquele corpo. Sabíamos que seu corpo estava sofrendo porque ele nos dizia; no entanto, nunca ouvimos um gemido ou um choro sair de seus lábios. Era inspirador simplesmente observá-lo.

Maurice Frydman descreveu esse grande mestre como “cordial, terno, dotado de um humor perspicaz, absolutamente destemido e autêntico; inspirador, orientador e solidário com todos que o procuravam”. Outros o descreveram como um tigre. Ele era o que fosse necessário: gentil, amável, paciente, brusco, áspero, impaciente. Os humores passavam por ele como uma brisa de verão, mal tocando-o.

A força de sua mensagem ressoa com a pureza de seu propósito: “Abandone tudo o que leu e ouviu e simplesmente SEJA. Você, como o Absoluto, não é esse ‘Eu Sou’, mas, no momento, precisa permanecer no ‘Eu Sou’”. Ele repete isso incessantemente. Mas a própria repetição de seus ensinamentos é significativa, pois construímos uma casca dura ao redor desse pseudo-ego para protegê-lo; portanto, é necessário um martelar constante para quebrar essa casca. O estilo repetitivo de seu ensinamento faz parte de sua sabedoria e habilidade pedagógica.

Ele nos ensinou a descobrir por nós mesmos, a refletir sobre suas palavras e a nos perguntarmos: ‘Será que isso é verdade?’ Ele disse que é preciso descobrir o que é o corpo, de onde ele veio, estudá-lo com distanciamento, observá-lo sem julgar. Logo percebemos que ele é exatamente como um robô que foi programado por outros. Devemos nos voltar para dentro, para aquilo que nos permite saber que existimos, para nos tornarmos um com isso.

Permanecendo no “Eu Sou” (ou Consciência, que é amor puro), essa própria Consciência nos dará todas as respostas. No momento presente, a Consciência é o que somos, não a Consciência pessoal, mas a Consciência impessoal e universal. Com o passar do tempo, a Consciência nos mostrará que nem mesmo somos isso, mas que somos aquele Absoluto Eterno, não nascido, imortal.

Todos os matizes de sua sabedoria singular se refletem nessas últimas e comoventes conversas com aqueles que tiveram o privilégio de estar em sua presença.

Ao ler suas palavras, que você encontre nelas suas bênçãos.

JEAN DUNN