DOMINGO, 25 DE DEZEMBRO DE 1977
Sê calmo, estamos separados de todas as atividades
Achamos difícil estar sós sem qualquer atividade. Isso significa que não é fácil tolerar a nossa consciência. Diferentes tipos de entretenimento são concebidos para nos permitir escapar de nós mesmos. É corajoso permanecer só e enfrentar a si mesmo.
O número de pessoas que vivem nesta terra em qualquer momento é sempre muito pequeno em comparação com o número total de pessoas que morreram no passado. O que aconteceu com os seus corpos que pesavam incontáveis toneladas de material alimentar? O que estariam eles a fazer agora? A única resposta é: agora eles são como eram antes do nascimento.
A religião que Deus aprecia é a religião do Si Mesmo. É o estado imperturbável e destemido, que é uno com a consciência. Todas as outras religiões têm uma identidade corporal, que conduz a um nível inferior. O mais elevado é adorar o Si Mesmo pela consciência. Libertação é estar livre de todo cativeiro. Dharma significa verdadeira religião, que é viver como pura consciência. Então a tua mente, o teu intelecto e o teu ego não poderão atar-te. Aquele que segue este Dharma torna-se livre de todos os conceitos. O Dharma do Si Mesmo acompanha-te até ao teu fim, porque te tornas uno com esse Dharma. O melhor presente é impartir o conhecimento do Si Mesmo. Aquele que vive como o Si Mesmo recebe espontaneamente todas as suas necessidades. Krishna diz: ‘Eu faço tudo por essa pessoa.’
A espiritualidade, que normalmente é muito difícil, torna-se fácil para esses poucos selectos. Eles aceitam as palavras do Guru e tornam-se unos com Atman ou consciência. Os seguidores de outras religiões podem cair, mas é impossível para aqueles que são verdadeiramente espirituais. Um verdadeiro Brâmane é aquele que se tornou Brahman. Ele é também Ishwara. Krishna diz: ‘Todas as suas acções chegam a Mim e eles alcançam-Me somente a Mim.’ Os verdadeiros buscadores e os verdadeiramente religiosos recebem o dom do conhecimento do Si Mesmo. Se desejas realizar este yajna, mesmo enquanto comes medita naquele que come e sê consciente dele. Deves praticar isto em cada acção. Sê sempre consciente de que não és o corpo mas a consciência.
Todas as tuas actividades acontecem devido ao teu sopro vital ou prana. Portanto, torna-te amigo dele. Ao cantar o Guru-mantra, o prana torna-se puro e, na morte, funde-se com o prana universal. Aqueles que não estão familiarizados com o seu sopro vital têm uma queda no fim. O prana significa todos os tipos de falas e vice-versa. O madhyama, ou a fala média, é chamado a mente. Quando falada, é chamada vaikhari. A mente não é separada do prana, que é também Pranava ou Om. O nosso prana não vê diferença entre nós e uma formiga ou um verme. Ele cuida de cada forma viva igualmente. Para um Sábio, não há indivíduos. Como todos são um, não há divisão. O prana de um Sábio pertence ao universo. A misericórdia acompanha sempre o conhecimento do Si Mesmo. Um Sábio está cheio de misericórdia. Quando o teu prana for propiciado, virás a saber quem é o verdadeiro falante – tu ou o teu prana?