2 Cinco elementos

M:

A identidade individual, fundada na identificação com o corpo e no sentimento «eu sou», constitui uma manifestação transitória cuja investigação conduz ao reconhecimento de que a realidade não depende de atributos, desejos ou conceitos, pois até a consciência que testemunha o mundo surge e desaparece, enquanto o Absoluto permanece além de qualquer expressão.

V:

O «eu sou» encontra-se na semente da manifestação, suscitando a questão de como o reconhecimento dessa semente pode conduzir ao Absoluto.

M:

A própria presença consciente constitui a semente e o sentimento «eu sou», em cujo núcleo se encontra toda a manifestação, sem que seja necessário torná-lo grosseiro mediante palavras ou determinações.

V:

O núcleo interior foi igualmente caracterizado como luz, o que sugere uma relação entre a essência de si e a luminosidade.

M:

A luz designa simbolicamente uma presença luminosa por si mesma, sem corresponder à iluminação sensível, enquanto a manifestação de Brahman nasce da condição de ser (beingness) e constitui, do ponto de vista do Absoluto, uma ilusão surgida da ignorância que se sobrepõe à verdade.

V:

A origem da manifestação na condição de ser suscita a questão do caminho pelo qual esse processo pode ser revertido.

M:

O retorno à fonte exige recuar continuamente até a semente da existência e permanecer junto àquilo que permite conhecer a si mesmo, até que os desejos e apegos se dissolvam e desapareça inclusive o desejo primordial de ser, deixando a presença estabelecida no Absoluto.

V:

A compreensão de que o próprio desejo de ser deve desaparecer produz certa tristeza, embora simultaneamente aprofunde o reconhecimento do Absoluto.

M:

A tristeza pertence ao sentimento «eu sou», pois é essa presença transitória que sofre diante da possibilidade de seu desaparecimento.

V:

A passagem do ser ao não ser revela a ausência de realidade substancial em tudo o que pertence à existência, embora a ilusão tenha proporcionado prazer enquanto perdurou.

M:

O estado verdadeiro permanece sempre puro e imperturbável, sem qualquer movimento próprio, enquanto somente a consciência do «eu sou» encerra sua manifestação, deixando intacta a presença que jamais se deslocou.

V:

A distinção entre a permanência do estado verdadeiro e o desaparecimento da consciência exige uma explicação mais clara.

M:

A compreensão da natureza da consciência permite acompanhar seu progressivo desaparecimento sem que o Absoluto seja afetado, assim como o céu permanece quando a chama se extingue e a fumaça desaparece.

V:

A comparação entre a permanência do céu e a extinção da chama exprime com beleza a relação entre o Absoluto e a consciência transitória.

M:

O desaparecimento do sopro vital e do sentimento «eu sou» revela, no momento da morte, a imortalidade da realidade que os testemunha, cuja compreensão exige abandonar a identificação com o corpo e a mente, retornar à fonte da existência e permanecer nela até que os hábitos de individualização cedam à certeza de ser a totalidade.