Os três valores humanos do Tri-Varga só podem ser compreendidos à luz de uma série de outras tríades que, com o “quarto” termo que as transcende, constituem os próprios quadros do pensamento hindu.
No homem: Buddhi, Manas, Deha (Spiritus, Anima, Corpus), integrados pelo Atman — o Espírito Santo ocidental
Os três guna ou qualidades naturais: Satva (Serenidade), Rajas (Paixão), Tamas (Inércia), com o Atiguna — a liberdade além dos guna
Os três estados de vigília, sonho e sono profundo, expressos pelas letras A U M, prolongados por uma ressonância nasal musical simbolizando o “quarto” estado — turiya — substrato eterno dos três
Os três Vedas: Rig, Yajur e Sama, correspondentes aos três estados da água — gelo, água líquida, vapor —, contidos por um quarto Veda, o Atharva, também chamado Somaveda (o Soma é a “Água da Vida”, outro nome do Divino)
O raio de criação: Sol, Lua, Terra — árvore invertida com raízes fulgurantes além da abóbada celeste
Na ordem social: três castas — Rajánicas ou Kshatriyas, Vaishyas e Shudras —, englobadas pela quarta, a dos Brahmanas; na família: Pai, Mãe, Filhos e Patriarca
Os três ashramas ou etapas da vida: Estudante, Senhor da Casa, Eremita da Floresta — que se cumprem no Renunciamento
Em todos esses casos, é sempre uma descida (avatara) que se faz “do céu à terra” em três etapas, para uma subida além do céu; três realizações se unificam em uma “quarta” (Moksha) que, sob o nome de Dharma, é o ponto de partida de uma nova descida